TC Mover
Mover

Tesouro Selic tem perda em setembro; título corrigido pelo IPCA cai até 11%

Postado por: TC Mover em 01/10/2020 às 17:47

A preocupação com as contas públicas puxou para cima as taxas de juros dos títulos do governo e derrubou os preços dos títulos em setembro, especialmente os mais longos, corrigidos pela inflação do IPCA, que chegaram a perder mais de 11%.Até mesmo os papéis corrigidos pelo juro diário Selic apresentaram perdas no mês passado, por conta do rendimento mais baixo da taxa básica, fixada em 2,0% pelo Comitê de Política Monetária, o que fez fundos e investidores venderem o papel e procurarem ganhos menores nos títulos prefixados.

Perdas em quase todos os papéis

 

 

Com isso, os investidores em títulos públicos via Tesouro Direto terão um susto quando receberem os extratos do mês, com perdas em quase todos os papéis. Só escaparam do prejuízo do ajuste dos juros os papéis mais curtos. E não só eles. Os investidores em fundos de renda fixa, que aplicam nesses papéis, também terão rendimentos menores ou perdas. Para os fundos DI, que aplicam mais em LFTs e têm ainda custos de taxas de administração e pagam imposto de renda, o cenário é mais complicado ainda.

 

 

A perda, porém, é apenas virtual se o investidor não resgatar o papel ou a cota do fundo neste momento. Isso porque ela representa o preço do título no mercado neste momento. Quem não precisar vender e levar o papel até o vencimento terá exatamente o ganho fixado quando comprou o título. Por isso é importante sempre comprar títulos de acordo com o prazo que o dinheiro pode ficar aplicado, para evitar o risco de ter de vender o papel em um momento de alta dos juros, quando os preços dos papéis caem. 

As perdas são proporcionais ao prazo dos títulos. Os papéis prefixados, com juros definidos até o vencimento, e com pagamento só no final, chegaram a perder 3,13% em setembro para o vencimento 2025. Já o prefixado mais longo, para 2029, que paga juros semestrais, caiu 3,35%. Mas os títulos para 2021 tiveram ganhos.

 

 

Para os papéis corrigidos pela inflação, os Tesouro IPCA-15+, ou NTN-B, as perdas virtuais foram maiores pois os prazos também são maiores. O título com juros pagos só no final, com vencimento em 2045, caiu 11,35% em setembro. Já o para 2035 perdeu 6,64%. 

 

Essas variações vão aparecer também nos fundos de renda fixa de longo prazo, ou duração longa, e fundos renda fixa inflação. Caso os juros voltem a cair, porém, essas perdas podem ser reduzidas ou anuladas. Por isso é importante torcer para que o governo acerte suas contas e garanta o equilíbrio fiscal nos próximos anos, o que reduz o prêmio de risco desses títulos e seus juros. 

 

A rara perda do Tesouro Selic

 

 

Um fato raro foi a perda do Tesouro Selic, ou LFT, já que ele paga a taxa diária do overnight e, portanto, seu risco é visto como um dos menores do mercado. Mas, com a Selic em 2% ao ano e o papel prefixado, a LTN, pagando 4,80% ao ano para 2023 e a inflação do IPCA pressionada, fundos e investidores resolveram vender as LFTs e comprar papéis prefixados.

 

 

Com a venda, as LFTs passaram a ser oferecidas com ágio no mercado, reduzindo o ganho dos investidores que tivessem de vender o papel. Esse ágio chegou a 0,18% ao ano para a LFT para 2025, um percentual alto para um papel sem risco de variação de taxas e que costumava ser vendido com um pequeno deságio. 

Alta das taxas em papéis fixados e corrigidos pela inflação

 

Já nos papéis prefixados se ajustaram à alta das taxas, reflexo do maior risco fiscal. O papel prefixado para 2023 subiu 4,17% no fim de agosto para 4,62% no fim de setembro. Para 2026, a taxa subiu de 6,58% ao ano para 7,19%.

 

 

No caso dos papéis corrigidos pela inflação a alta dos juros reais também foi expressiva. A NTN-B para 2035 com juros no final pagava 3,73% ao ano mais IPCA no fim de agosto e fechou setembro com 4,11% ao ano mais IPCA, mesmas taxas para 2045. 

 

A alta torna os títulos do Tesouro Direto mais atrativos, mas o investidor precisa estar preparado para o caso de novas altas dos juros, que podem derrubar novamente os preços dos papéis caso o governo não chegue a um acordo para manter o teto de gastos no próximo ano, por exemplo.

Texto: Angelo Pavini
Edição: Letícia Matsuura
Imagem: Divulgação

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Experimente 7 dias grátis