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Trump com Covid deve abalar os mercados nesta sexta-feira

Postado por: TC Mover em 02/10/2020 às 8:41
O presidente do Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama, Melania Trump, testaram positivo para Covid-19. O anúncio foi feito na madrugada desta terça-feira pela conta do Twitter do presidente. Tal notícia deve abalar o sentimento de mercado e as manchetes por um bom tempo.

São Paulo, 2 de outubro – O presidente do Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama, Melania Trump, testaram positivo para Covid-19. O anúncio foi feito na madrugada desta sexta-feira pela conta do Twitter do presidente. Tal notícia deve abalar o sentimento de mercado e as manchetes por um bom tempo. 

Ele é o terceiro líder de Estado no mundo a contrair a doença, após o presidente Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. Os mercados também monitoram o candidato democrata à presidência americana, Joe Biden, que participou de debate presencial ao vivo com Trump há dois dias.

“Esta noite, @Flotus e eu testamos positivo para a covid-19. Vamos começar nosso processo de quarentena e recuperação imediatamente. Vamos superar isso juntos”, escreveu Trump no Twitter.

Mercados futuros e Trump com Covid-19

Em movimento de cautela enquanto o líder dos Estados Unidos segue para o período de quarentena, as bolsas na Europa e os rendimentos dos títulos da dívida de dez anos americana caíam, estes últimos perdendo perto de um ponto-base, para 0,669%. Até poucas horas atrás, Trump e a esposa estavam “bem”, de acordo com informações da equipe médica do presidente, reportadas pela rede CNBC. 

Os futuros no índice S&P500 caíam 1,62% e o índice Stoxx 600 Europe caía 0,63% por volta das 08h00, horário de Brasília. O ETF EEM, atrelado ao índice MSCI Emerging Markets, derrete 1,99%. O euro recua, o iuan e o iene se valorizam e o dólar americano, medido pelo índice Dólar DXY, opera em alta de 0,10% ante pares.

O que muda com o anúncio do presidente dos Estados Unidos

O diagnóstico de Trump adiciona outro elemento de incerteza a um mercado que aposta em uma batalha legal ou caos político após a eleição do mês que vem. O temor é que a saúde de Trump paralise o governo.

Volatilidade intensa, queda nas bolsas e mais atrasos no quesito programa de estímulo dos EUA são algumas das implicações de mercado da notícia de que Trump foi contaminado pelo SARS-CoV-2 – bichinho que já infeccionou o premiê britânico Boris Johnson e o presidente brasileiro Jair Bolsonaro. 

“Não é a eleição, mas o fato de Trump não tocar o barco antes do pleito”, disse Omar Ajame, investidor e contribuidor do TC. 

O que dizem os editores do TC

Para nossos editores, é necessário digerir a notícia de Trump com muita cautela e ver se o evento será um divisor de águas. No curto prazo, a incerteza estimula a demanda por Treasuries, já que o investidor ficará ainda mais nervoso com o risco implícito da eleição. Apesar da alta nas probabilidades de vitória de Biden e de dominação democrata no Senado e Câmara americanos, há risco de o cenário estar sendo superdimensionado. O rumo dos juros nos EUA dependerá da contundência da vitória democrata.

“Doente e sem sair de casa? Aí complica”, disse o trader e contribuidor do TC, Moisés Beida, sobre Trump. Goldman Sachs diz que uma dobradinha democrata na Câmara e no Senado levaria o juro dos Treasuries de dez anos a subir até 40 pontos base na perspectiva de maiores gastos governamentais. Pense aí: maior gasto público se traduz em maior demanda agregada, fechando o hiato do produto mais rápido do que o esperado e acelerando, pois, um aumento no juro antes de 2023.

Trump é contra o uso de máscaras

O presidente dos EUA, que se recusava a usar máscaras até recentemente, insistia em realizar eventos públicos de campanha onde os participantes também não costumavam ser adeptos da medida de proteção. 

Trump chegou a ironizar o uso de máscaras durante o debate presidencial da última terça-feira, 29. Segundo ele, a prática não é recomendada por muitos especialistas. “Eu não uso uma máscara como (Biden), toda vez que você o vê, ele tem uma máscara. Ele pode estar falando a 60 metros de distância e aparece com a maior máscara que eu já vi”, disse.

A um mês da eleição presidencial, acometido pelo SarsCoV-2 e cumprindo quarentena, Trump não poderá fazer campanha eleitoral. 

Texto: TC Mover

Edição: Ana Carolina Amaral

Arte: Nathália Reiter/TC Mover

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