TC Mover
Mover

Trump vira jogo, mas eleição nos EUA continua indefinida; no radar, BC autônomo: Espresso

Postado por: TC Mover em 04/11/2020 às 10:47

São Paulo, 04 de novembro – Foi uma longa noite para quem, como nós, seguiu a eleição presidencial nos Estados Unidos minuto a minuto na TC Mover. Ainda não sabemos quem venceu a disputa, mas o investidor deve repercutir uma plêiade de coisas enquanto os votos são contabilizados. 

Em meio a um pregão volátil, o investidor deve repercutir a virulência do presidente Donald Trump, que na madrugada ameaçou ir à Suprema Corte para contestar o resultado do que ele chama de ‘eleição fraudulenta’. 

Na nossa avaliação, a maioria do mercado aposta na reeleição de Trump, apesar de o pleito ser disputado palmo a palmo com o opositor democrata Joe Biden. Há dias em que as casas de apostas e alguns analistas apontavam para o crescimento de Trump no sul e no meio-oeste do país, contradizendo a narrativa de parte da mídia e dos institutos de pesquisa de que veríamos uma vitória de Biden incontestável e rápida.Tanta incerteza, junto com o medo de uma batalha legal ao redor dos resultados da disputa, dá lugar a fortes oscilações nos ativos na madrugada de hoje.

Bolsas mundiais subindo

As bolsas em Tóquio, Seul e Xangai saltaram, enquanto o índice pan-europeu Stoxx Europe 600 passou a subir, puxado pelos avanços de ações de biotecnologia, assistência médica, tabaco e bancos. 

Os futuros do índice S&P500 apontam para uma abertura próxima à estabilidade, o ouro recua e o dólar avança ante pares. Após ficar suspenso por dois minutos na esteira de uma alta súbita na madrugada, o futuro do índice Nasdaq opera em alta próxima aos 2%. 

O investidor compra ações de tecnologia e Treasuries americanos, como uma forma de se resguardar da irascibilidade de Trump ou do descontentamento dos apoiadores de Biden – ambas as classes de ativos são vistas como instrumentos para defender a carteira. 

Eleição presidencial acirrada

Neste momento, apenas sete dos 51 estados americanos faltam por entregar seus resultados definitivos. Todos, pelo que parece, com a exceção de Nevada, tendem a se render a Trump. O investidor almeja comemorar um resultado eleitoral livre de encrenca, claro e sem surpresas na composição das duas casas do Congresso americano. Duvidamos que consiga as três coisas, mas estamos em 2020 e qualquer coisa, literalmente, pode acontecer.

Trump virou o jogo e parece encaminhado para morar por mais quatro anos entre a Casa Branca e o resort de Mar-a-Lago, na Flórida. Biden não saiu tão mal na foto, até porque se mostrou um candidato competitivo ao longo da campanha. Do lado perdedor, alguns veículos da mídia e de institutos de pesquisa que, em vez de analisarem o quadro eleitoral de forma isenta, brincaram de torcedores. 

Fica como retrato nesta eleição uma nação profundamente dividida entre eleitores brancos e não-brancos, urbanos e rurais e com visões divergentes sobre a importância de controlar a pandemia do coronavírus ou de proteger a economia e o emprego da atual crise. 

Agenda econômica

Na agenda, as pesquisas de índices de gerentes de compras nos serviços da Zona do Euro de outubro. Os EUA soltam o Índice dos Gerentes de Suprimento, o ISM, de serviços, e a pesquisa de emprego privado da ADP com criação mais lenta de vagas de trabalho em outubro – uma prévia para o dado oficial de relatório Payroll de emprego privado não-agrícola desta sexta-feira.

Na agenda econômica local, o investidor presta atenção nos números da Pesquisa Industrial Mensal de setembro, que deve mostrar alguma desaceleração sequencial. O Banco Central divulga também seu índice de preços de commodities, que pode indicar pressões sobre a inflação, assunto também do IPC da Fipe de outubro. 

Na nossa avaliação, o mercado de juros e de câmbio deve repercutir positivamente a aprovação, por parte do Senado Federal, do projeto que dá autonomia operacional e normativa ao Banco Central do Brasil. 

A proposta segue para avaliação da Câmara dos Deputados, onde deve ser anexada a um projeto semelhante em tramitação. Ela blinda o BCB de interferências políticas, dando a seus diretores mandatos fixos, autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira e colocando três objetivos para eles: zelar pela estabilidade e eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade e fomentar o pleno emprego, sem prejuízo de seu objetivo fundamental: controlar a inflação. No lado corporativo, fique de olho na reação aos resultados do Itaú e à decisão de cindir parte de sua participação na XP.

Texto: TC Mover
Edição: Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins/TC

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Saiba Mais