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Chapa Leite-Moro pode ser frustrada por partidos de Centro: Coluna

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Chapa Leite-Moro pode ser frustrada por partidos de Centro: Coluna

A pergunta que caciques de partidos de Centro parecem se fazer é: por que se engajar em projeto presidencial sem nem 2 dígitos em pesquisas?

Chapa Leite-Moro pode ser frustrada por partidos de Centro: Coluna
leopoldo-vieira-teixeira

Atualizado há cerca de 2 meses

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Brasília, 5 de abril – A expectativa de parte de investidores e empresários por uma chapa entre o ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro como representantes da terceira via pode acabar frustrada pela dominância de interesses locais em eleger grandes bancadas para o Congresso por parte dos partidos do Centro.

A seis meses da eleição presidencial, o União Brasil negou ao recém-filiado Moro o projeto presidencial, dando-lhe a chance de concorrer a uma vaga ao Congresso. No entanto, após Moro declarar na sexta-feira que não havia desistido do Palácio do Planalto, a ala ligada ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, passou a ameaçar a impugnação de sua filiação à legenda, o que o deixaria sem partido para concorrer a qualquer vaga nas eleições de outubro.

A exemplo de tantos líderes estaduais de partidos de Centro que estão dispostos a furar a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro nas pesquisas, Neto e Caiado querem capitalizar para si os votos que hoje iriam para o ex e o atual presidente da República.

A pergunta que caciques de partidos como União Brasil, MDB e até do PSDB parecem se fazer é: por que trocar o uso de vultosos recursos do Fundo Partidário para azeitar a conquista de governos estaduais e bancadas parlamentares, formando palanques competitivos com Lula e Bolsonaro, para se engajar em um projeto presidencial de postulantes que não conseguem marcar dois dígitos nas pesquisas?

A baixa popularidade da terceira via também não parece seduzir nenhum dos concorrentes a ceder por uma unificação de Centro. Os pré-candidatos do PSDB, João Doria, e a do MDB, senadora Simone Tebet, não chegam a 5% nas pesquisas.

Leite, sem demonstrar competitividade até aqui, tenta correr por fora e fazer Doria desistir da vaga conquistada nas prévias tucanas. Mesmo se chegar a 5% nas pesquisas até junho, como planejam seus aliados, Leite ainda estará bem distante da chance real de tirar Bolsonaro ou Lula do segundo turno.

Em entrevista nesta segunda-feira, Leite declarou que cederia sua provável candidatura para um nome viável para furar a polarização. Mas o problema do progresso da terceira via é de outra ordem, como a falta de intenções de votos e o avanço das campanhas nos estados.

Além disso, o imbróglio reside na sociedade estar discutindo as urgências da economia, um futuro julgamento político da pandemia, além de conflitos institucionais e questionamentos ao sistema eleitoral.

Após o fechamento da janela partidária, o investidor pode ganhar mais decifrando oportunidades da oficialização da chapa entre Lula e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, e seu impacto positivo ao mercado interno e externo.

Ou decifrando demonstrações confiáveis de Bolsonaro, se reeleito, de que vai garantir, além de promessas de liberalismo econômico, previsibilidade e estabilidade admiradas pela Faria Lima e pelo capital estrangeiro.

O fato é que, enquanto Lula e Bolsonaro já agitam um estádio do Maracanã, a terceira via joga futebol society.

Texto: Leopoldo Vieira
Imagem: Vinicius Martins / Mover

DISCLAIMER: Leopoldo Vieira é analista sênior de política da TC. As opiniões dele não necessariamente refletem a política editorial da Mover

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