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Coluna: Há espaço para o 'Faria Piber' na eleição presidencial

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Coluna: Há espaço para o 'Faria Piber' na eleição presidencial

A eleição presidencial de 2022 abre uma oportunidade para reconciliar a sociedade e os estabelecimentos político e econômico

Coluna: Há espaço para o 'Faria Piber' na eleição presidencial
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Atualizado há 3 meses

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A principal expectativa do mercado hoje, além de uma solução para o preço dos combustíveis, é saber se quem vencer a eleição garantirá o crescimento econômico sob uma agenda fiscal que evite recessão, desvalorização da moeda e inflação, segundo relatórios recentes de influentes bancos de investimentos.

Problemas como desemprego, aumento dos preços, baixo crescimento do Produto Interno Bruto e persistente risco às contas públicas recomendam, na visão de políticos moderados, uma condução econômica com credibilidade, liderança e interlocução com o empresariado e o setor financeiro, independente do eleito.

A máxima de que “o Brasil não é para amadores” combina com a gestão da pandemia pelo governo. Os efeitos da crise da covid-19 sobre as contas públicas e a renda da população fizeram o ajuste fiscal deixar de ser uma resposta suficiente para o estabelecimento político.

Já uma agenda fiscalmente responsável, mas que induza, sem um Estado inchado, a recuperação veloz dos empregos, da renda e do caixa das empresas, inclusive pequenas e médias, favoreceria a participação do investidor pessoa física na bolsa e maior prosperidade às companhias.

Por isso, faz sentido a ideia de um “Presidencialismo de Conciliação” como defendem alguns gestores de mercado.

Não à toa, bancos como o BTG Pactual já afirmam não ver riscos de intervenção direta na Petrobras, mas apenas a definição de outra estratégia, com alteração da política de dividendos, em caso de mudança de governo.

Antigo regime é risco fiscal

O modelo de “Presidencialismo de Coalizão” vive um esgotamento. A cooptação de maiorias no Congresso pela troca de emendas parlamentares e cargos no governo é o que impede o estabelecimento político de passar mensagens claras sobre as contas públicas.

Isso tende a se acentuar sem um governo e um presidente empenhados em reformas e com credibilidade para gerenciar estímulos econômicos e pactos entre diversas camadas de renda.

Para eleger grandes bancadas, partidos centristas que nunca tiveram tanto poder sobre o Orçamento se movimentam em direção oposta à previsibilidade, como na tramitação da chamada “PEC dos Precatórios”.

A novela se repete em torno do reajuste a servidores públicos e preço dos combustíveis. A permissão para a reeleição em geral favorece como nunca a tentação populista.

Não se deve descartar uma alteração de legislação da política de preços da Petrobras neste governo, em uma possível consequência da crise na Ucrânia.

Observadores da cena apostam que o último entrave a isso são cálculos acerca de para onde iria o mercado do ponto de vista da eleição. Enquanto nada muda, o investidor recolhe seus ganhos.

Ao centro, volver

A despeito das leves variações nas pesquisas antes de fechar a janela partidária, há possibilidade de uma disputa intensamente polarizada já no primeiro turno.

Sinal dos tempos é que o “presidencialismo de coalizão” no poder patina em definir um vice digno de confiança quanto ao rumo pós-eleição. Outro foi rejeição de uma emenda da senadora bolsonarista Soraya Thronicke, para zerar a cobrança de impostos federais sobre diesel e gás de cozinha, pelo relator do pacote dos combustíveis no Senado, o petista Jean Paul Prates, em nome da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O maior risco é o país sair conflagrado das urnas, fortalecendo um enfrentamento cultural de duração incerta, ou visões que advogam a mera revogação de regras fiscais, reformas e privatizações, além do conflito entre as camadas de renda.

Contudo, a eleição abre uma oportunidade para reconciliar a sociedade e os estabelecimentos político e econômico, cujo divórcio popularizou discursos antissistema que se revelaram travas à pauta econômica.

Em paralelo, alguns analistas acreditam que as dificuldades de uma terceira via também podem residir no eleitorado querer antecipar um ambiente politicamente estável, economicamente previsível e socialmente seguro.

Apesar disso, uma alternativa tem legitimidade para se apresentar: mesmo não ganhando tração, pode colaborar com a estabilização, ante a renovação da aposta no conflito institucional.

Assim, grandes fundos brasileiros podem estar corretos quando consideram a reeleição de Bolsonaro risco maior do que a vitória de Lula em aliança com o ex-governador Geraldo Alckmin.

O que parece estar em jogo é um governo capaz de aprovar reformas, avançar na consolidação fiscal e criar condições para a volta de um patamar que especialistas classificam como de “ganha-ganha” entre as camadas de renda.

Portanto, entre “FariaLulers”, “BolsoLimers” e terceiras vias, um viés eleitoral pragmático é o do “FariaPiber”.

Coluna: Machado da Costa e Leopoldo Vieira
Arte: Vinícius Martins / Mover


 

DISCLAIMER: As informações disponibilizadas na coluna são meramente opiniões dos COLUNISTAS na data em que foram expressas e não declarações de fatos ou recomendações para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários, ou ainda, qualquer recomendação de investimento.

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