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SP500

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NASDAQ

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IFIX

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BRENT

US$ 86,10

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IO62

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TRAD3

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-10,16%

ABEV3

R$ 15,16

-0,72%

AMER3

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-5,56%

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Atualizado há cerca de 1 ano

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Parra-Bernal é economista, sócio e diretor-geral da área de informação e inteligência de mercado do TC. O artigo reflete as opiniões dele e não as do TC ou da TC Mover.


Em 13 de setembro, comemoramos 50 anos do icônico artigo do ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Milton Friedman, sobre a responsabilidade social corporativa. Muito foi escrito sobre o assunto, especialmente neste mês, e muito aconteceu na antessala deste evento. Tanto a pandemia do coronavírus quanto o foco renovado na desigualdade que surgiu após a morte do cidadão americano George Floyd ou da disparada no desemprego Brasil e mundo afora aceleraram a discussão sobre qual deveria ser o propósito das empresas no momento atual.  

 

Até o momento percebemos um processo de reflexão, dentro de círculos acadêmicos e de gestão de recursos, sobre o papel que as corporações desempenham na criação e distribuição da prosperidade econômica. Há, nesses círculos, assim como entre alguma parte menos apaixonada da mídia especializada, o desejo de discutir se há necessidade de um novo propósito para as empresas, aquele que equilibre melhor o foco no valor econômico e nos valores éticos e morais perseguidos por uma sociedade. 

 

Parte do problema atual da doutrina de Friedman é que, na nossa opinião, o que ainda perdura é a manchete do artigo e não as nuances do seu conteúdo: “A responsabilidade social corporativa é aumentar seu lucro”. Em outras palavras, a primazia do acionista é o alicerce do capitalismo moderno. “Primazia do acionista” e “doutrina de Friedman” tornaram-se conceitos siameses. Os coletivistas e os leigos creditam essa doutrina com a reverência aos resultados de curto prazo, aquisições hostis, destruição de modelos de negócio sem escalabilidade, financiamento de instrumentos de dívida extremamente arriscados, desproteção laboral, destruição do meio ambiente e por aí vai. Ou seja, Friedman teria dado início a um culto de aumento da lucratividade apesar de tudo – mascarando-se naquela máxima de criação de valor para os acionistas.

 

Milton Friedman, que escreveu responsabilidade social corporativa

Milton Friedman

 

Não comungo com essa visão reducionista. Para ambos os extremos, a manchete é eterna e conveniente: para os falcões de Friedman, a pedra angular da sua forma de ver o mundo está nessa manchete. Valor e lucro são valores a serem perseguidos até o fim. Para o outro campo, a doutrina de Friedman é a mais clara prova de que o capitalismo é uma ordem desumana. No meio dessas duas visões antagônicas, aqueles que verdadeiramente criam valor e empregos – como líderes empresariais e investidores – assim como advogados, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica abraçaram a ideia de uma reinterpretação da doutrina friedmaniana, em que o capitalismo que busca a maximização do valor empresarial também conte com a sustentabilidade como um instrumento de prosperidade de longo prazo.  

 

A pergunta é se aqui caímos na armadilha favorita do coletivismo, de denegrir o sistema capitalista, ou se realmente um admirável mundo novo se abre para nós. O coletivismo usa a responsabilidade social como um divisor de águas e de opiniões. Reitero, de forma conveniente e pouco respeitosa da verdade. Porém, é impossível negar que muitas coisas estão mudando: critérios de ambiente, governança e sociedade, conhecidas em inglês com a sigla ESG, foram adotadas pelos gestores de fundos de índice BlackRock, State Street, Vanguard e outros grandes investidores. Hoje, em média, os três maiores gestores de fundos de índice detêm uma em cada cinco ações no mundo. Ou seja … ESG é uma realidade. 

 

Acredito na interpretação mais ampla e completa da doutrina de Friedman, sem renunciar à máxima de maximização de lucro dentro do marco legal e social existente. Friedman é claro naquele artigo que a maximização de lucros deve acontecer em obediência às leis vigentes. Ele nunca falou mal da governança. Ela permite que os conselhos de administração avaliem as oportunidades de curto prazo e mantenham a flexibilidade de investir no longo prazo de forma sustentável e inovadora. Finalmente, é importante lembrar que, se a sociedade, formada por acionistas e funcionários em uma economia, busca valores mais inclusivos em uma sociedade, as empresas não podem se subtrair desses anseios. 

 

Apoiar um paradigma friedmaniano mais amplo nos ajudaria eliminar a possibilidade de legislação perversa que regule as corporações e os investidores institucionais e gestores de ativos, o que levaria inevitavelmente a formas diversas de corporativismo estatal. Extremismos em assuntos como esse – lembremos do recente episódio envolvendo a Magazine Luiza e o programa de estagiários negros – só acelerarão a chegada de intervenções inusitadas e indesejadas, perpetradas por políticos oportunistas e coletivistas sabotadores.

 

Confira a coluna dessa semana do Rafael Ferri:

Café com Ferri: Quais os dois cavalos para o Natal? 

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