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Lançando candidatura com ex-adversários, Lula afasta revanchismo e sectarismo: Coluna

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Lançando candidatura com ex-adversários, Lula afasta revanchismo e sectarismo: Coluna

Na frente econômica, Lula ainda precisa prestar atenção para não perder lances importantes por causa de ruídos eleitorais

Lançando candidatura com ex-adversários, Lula afasta revanchismo e sectarismo: Coluna
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Atualizado há 25 dias

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Brasília, 21 de abril – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já terá pelo menos dois ex-adversários ao seu lado no lançamento de sua candidatura ao Palácio do Planalto, sinalizando que não faz mais sentido um temor de que poderia fazer um governo revanchista e sectário, caso seja eleito em outubro.

Em ato previsto para 7 de maio, Lula estará acompanhado do ex-governador e fundador do PSDB Geraldo Alckmin, que será seu vice pelo PSB e contra quem disputou a eleição presidencial de 2006, e do presidente do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva, que apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ex-Centrão, o Solidariedade estará com Lula desde o primeiro turno.

O empenho de Lula em formar uma frente ampla não deve ser desvalorizado. Sua sinalização leva tranquilidade ao mercado, acena moderação ao Centro e aponta para uma gestão sem instabilidade institucional e em regime democrático.

Para concretizar sua frente, Lula dobrou alas minoritárias da chamada esquerda petista e reverteu um racha com o Solidariedade poucos dias após o presidente do partido ser vaiado em evento de sindicalistas.

Lula se esforça ainda para garantir a adesão no primeiro turno de alas de legendas de Centro, como MDB e PSD, onde jazem lideranças que também se engajaram na deposição de Rousseff.

Na frente econômica, Lula ainda precisa prestar atenção para não perder lances importantes por causa de ruídos eleitorais. Um exemplo é ele ter dito que seu vice, Alckmin, poderia comandar a mesa tripartite entre empresários, trabalhadores e governo para atualizar a Reforma Trabalhista, que agrada o empresariado pelo potencial de reduzir custos, porém sofre questionamentos de alguns especialistas sobre a eficácia na geração de empregos e pela qualidade das vagas geradas.

o ex-governador do Piauí, Wellington Dias, um dos cotados para assumir a condução da Economia em um governo Lula, defendeu meta gradual de 5% a 12% das receitas correntes líquidas para investimentos públicos, sem prejuízo do limite de despesa com a folha de pagamento e para o endividamento.

Mesmo que não encampe uma visão liberal na economia, a campanha de Lula avança em gestos que tentam projetar responsabilidade fiscal e concertação política. A alternância de governo, fundamento da democracia liberal, permite oportunidades sob outras inspirações.

De vieses socialdemocratas, os governos Lula promoveram crescimento econômico e diminuíram a proporção entre a dívida e Produto Interno Bruto. De igual viés, os governos Fernando Henrique Cardoso controlaram a inflação e introduziram marcos como a Lei de Responsabilidade Fiscal.

A quatro meses de distância do primeiro turno, interlocutores históricos de Lula afirmaram ao Scoop acreditar que ele fará um governo que deve fortalecer o mercado de capitais.

Texto: Leopoldo Vieira
Edição: Gabriela Guedes
Imagem: Vinicius Martins / Mover

DISCLAIMER: Leopoldo Vieira é analista sênior de política da TC. As opiniões dele não necessariamente refletem a política editorial da Mover

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