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Atualizado há 17 dias

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Brasília/São Paulo, 6 de outubroA possível candidatura do ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro pode ter espaço para crescer no eleitorado caso ele reivindique o discurso de combate à corrupção, apesar de pesquisas recentes atestarem que a economia e a pandemia são as principais preocupações da população.

Moro terá a difícil missão de manejar o sentimento da opinião pública com as acusações de supostos malfeitos que desgastam a imagem dos dois candidatos que despontam como líderes das intenções de votos nas pesquisas eleitorais.

O atual presidente da República, Jair Bolsonaro, se vê envolvido em acusações de corrupção, embora, por ora, não tenha nenhuma condenação. Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve a maior parte das suas sentenças na Lava Jato suspensas pelo Supremo Tribunal Federal, STF, quando a Corte declarou a suspeição de Moro.

Pesquisa reforça Lula à frente

Uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta semana confirma Lula à frente nas intenções de votos e reforça que ele é considerado por 28% do eleitorado como o melhor nome para combater a corrupção, contra 24% de Bolsonaro e 14% de Moro.

O ex-presidente também fica à frente na pesquisa como o mais capacitado para enfrentar questões como a criminalidade e a segurança pública, assuntos de relevância para o eleitorado comum do presidente e seu ex-ministro, seguido de Bolsonaro e de Moro.

A ordem de menção aos candidatos se mantém na pesquisa nas questões relacionadas à ‘saúde, pandemia e vacina’, com Lula despontando na preferência, e na economia, que deve ser a chave da sucessão presidencial.

Somado a isso, o apelo de Sergio Moro junto ao eleitorado também parece que já não é o mesmo de quando bateu recordes de popularidade, com imagens de prisões de políticos e executivos de empresas.

O ex-juiz rompeu com o governo Bolsonaro em abril de 2020, sem maiores repercussões, quando denunciou suposta interferência do presidente da República na Polícia Federal.

Possibilidades para Moro

Na maior operação contra desvios de autoridades da história do país, iniciada em 2014, Moro alvejou legendas de esquerda e de centro tradicionais do sistema político, como PT, PSDB, MDB e do Centrão, o que gera sérias dúvidas quanto à sua capacidade de formar alianças para ser competitivo e, se vitorioso, de construir uma base parlamentar.

Isso, porém, pode ser parcialmente resolvido se avançarem entendimentos em torno de uma candidatura em que o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, outro popular dissidente do governismo, divida a chapa com Moro como vice-presidente.

Mandetta deve concorrer pela legenda União Brasil, resultado da fusão entre o DEM e o PSL anunciada na última quarta-feira, 6, e pode se tornar uma potência centrista, com a maior bancada da Câmara dos Deputados.

Não se descarta, ainda, que a eventual candidatura de Moro acabe também por não se concretizar, refletindo mais um movimento para valorizar negociações do jogo político eleitoral, como a do partido Podemos, que ofereceu abrigo ao ex-ministro da Justiça e Segurança Pública.

Outros caminhos, como apoiar o governador de São Paulo, João Doria, caso prevaleça nas prévias do PSDB, seguem no cardápio de Moro, segundo informações que circulam na capital federal.

Contudo também parece verdadeiro que, na antessala da tentativa de reeleição, Bolsonaro não tenha as mesmas condições que tinha em 2018 para empunhar a bandeira antissistema, tão cara ao público conservador e ao desapontado com a esquerda.

Até porque o atual presidente costura uma aliança eleitoral reproduzindo a base com o Centrão no Congresso, um bloco com histórico de ser fiador da governabilidade, não de iniciativas disruptivas.

Isso sugere que, se Moro ganhar tração, começará pela raia da centro-direita, ameaçando diretamente Bolsonaro e as articulações atuais por uma terceira via liberal – o pensamento econômico do ex-juiz, a propósito, ainda é razoavelmente desconhecido pelo eleitorado.

Coluna: Gustavo Machado da Costa e Leopoldo Vieira
Arte: Vinícius Martins / Mover


DISCLAIMER: As informações disponibilizadas na coluna são meramente opiniões dos COLUNISTAS na data em que foram expressas e não declarações de fatos ou recomendações para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários, ou ainda, qualquer recomendação de investimento. 


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