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BRENT

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+0,62%

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Atualizado há 7 meses

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São Paulo, 17 de março – A cada 45 dias ocorre a reunião com oito diretores e o presidente do Banco Central e dela conhecemos a decisão do Copom, Comitê de Política Monetária, em que é definida a taxa básica de juros da economia, a Selic.

A reunião, que ocorre por dois dias consecutivos, leva em consideração quatro fatores importantes para a decisão da Selic, que são: as expectativas de inflação, o cenário externo, as contas públicas e a atividade econômica, estes em relação à economia brasileira. Neste contexto, trago meu cenário delineando esses itens.

Em relação ao primeiro, sobre a expectativa de inflação, o comitê avalia os dados do Boletim Focus, o qual é divulgado semanalmente e reflete as expectativas do mercado. Neste cenário, a última divulgação mensal sinaliza que os agentes esperam a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, em 4,60%1 até o final de 2021.

Copom

Arte: Vinícius Martins/TC Mover



Dentre as explicações que podem justificar essa estimativa, espera-se um aquecimento do consumo, em especial no segundo semestre do ano, frente ao avanço da vacinação no país e o relaxamento das medidas de isolamento social. Este fato pode ser confirmado pela retomada observada até janeiro deste ano, em especial do mercado de trabalho.

Entretanto, dois fatores são essenciais para explicar essa expectativa de inflação: a primeira é o fator do carry-over, ou carregamento estatístico, tema que já venho falando há várias semanas para os assinantes do TC através do canal Master Contribuidores. Não há dúvidas que veremos o IPCA acima dos 6,00% até junho deste ano, fator explicado por uma inflação de oferta, em especial setorial, somado ao aumento do preço das commodities.

Contudo, com o retrocesso das medidas de isolamento social no país nas últimas semanas, o impacto na economia será observado com a retração da atividade neste início de ano, e é neste contexto que eu entro no segundo aspecto levantado pelo Comitê para a decisão da taxa básica de juros, que é o balanço de riscos.

Este é um tema que o comitê avalia no seu cenário básico, em que levanta os dados do cenário externo para justificar a condução das políticas econômicas, as quais impactam nas economias emergentes; em outras palavras, políticas expansionistas por economias desenvolvidas, de juros baixos e aumentos de gastos públicos, favorecem países como o Brasil.

Por outro lado, em relação à atividade econômica brasileira, deverá ser levado em conta o impacto nas atividades frente ao aumento de casos de Covid-19, o que leva a incertezas sobre o ritmo de crescimento da economia.

Assim, o comitê deverá levar em consideração um possível prolongamento das políticas fiscais frente ao combate à pandemia, fato o qual já observamos através da prorrogação do auxílio emergencial. Neste cenário, a deterioração do cenário fiscal impacta em aumento dos juros, ou melhor, na elevação dos prêmios de risco.

Arte: Vinícius Martins / TC Mover



Por fim, o comitê analisará o balanço de riscos para decidir sobre a taxa de juros. No meu cenário, em relação à última reunião, a qual ocorreu em janeiro deste ano, temos um cenário externo mais favorável em detrimento do cenário interno desfavorecido. Contudo, acredito que nessa reunião o Comitê inicie o ciclo de alta de juros sinalizando as preocupações com a inflação para este ano e, principalmente, para 2022. Neste contexto, o importante nesta reunião será entender a diferença entre a alta de juros, sinalizando um aperto monetário para o caminho dos juros de equilíbrio da economia brasileira.



[1] – A expectativa de inflação do mercado atualmente esta acima da meta estabelecida pelo CMN – Conselho Monetário Nacional, que é de 3,75% para este ano, entretanto, ainda dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.


Arte: Vinícius Martins / TC Mover

DISCLAIMER: As informações disponibilizadas na coluna são meramente opiniões da COLUNISTA na data em que foram expressas e não declarações de fatos ou recomendações para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários, ou ainda, qualquer recomendação de investimento.


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