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No curto prazo, bancos devem continuar a reinar soberanos na B3: Coluna

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No curto prazo, bancos devem continuar a reinar soberanos na B3: Coluna

Grandes bancos comerciais sempre deram lucro no Brasil, sobreviveram diferentes crises e rentabilizaram o crédito em ambientes desafiadores

No curto prazo, bancos devem continuar a reinar soberanos na B3: Coluna
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Atualizado há 26 dias

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São Paulo, 19 de abril – As ações dos grandes bancos comerciais brasileiros podem seguir entre as melhores aplicações de curto prazo da Bolsa de Valores de São Paulo. Isso porque esses papéis se beneficiam, até certo ponto, dos juros mais altos e pouco sofrem com a crise de liquidez que descrevi na minha coluna recente.

Revisemos as opções atuais. Por exemplo, as exportadoras de commodities sofrem com a volatilidade elevada dos preços de seus produtos de exportação e com a desvalorização do dólar. Apesar de haver farta evidência de que as barganhas mais interessantes no nosso mercado estão nas ações de baixa capitalização, conhecidas como small caps, ou nas chamadas cíclicas domésticas, ninguém parece ter apetite para elas, por ora.

Já os grandes bancos comerciais sempre deram lucro no Brasil, sobreviveram diferentes crises e governos e estão acostumados a rentabilizar o crédito em ambientes macroeconômicos desafiadores – como o atual. Além disso, o desmonte gradual de provisões realizadas durante a crise do coronavírus pode garantir gordos lucros e dividendos aos acionistas de Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil.

É verdade que, neste trimestre, os bancos devem aumentar suas provisões, em função dos riscos do cenário local e internacional. Mas mesmo que cresçam nos balanços, os chamados créditos duvidosos devem atingir mais profundamente os bancos menores, fortalecendo os grandões no ambiente competitivo.

Liquidez, dividendos, proteção contra inflação … acho que você entendeu!

No ano, os papéis do Banco do Brasil (BBAS3) acumulam ganhos de cerca de 30%, contra uma alta de 10% do Ibovespa. Em Nova York, as ADRs do BB no balcão já ganham mais de 50%. A ação do Itaú Unibanco (ITUB4) sobe 27% no ano e também ganha mais de 50% em Nova York. Deixou para trás a estória de que o Nubank (NUBR33) seria o maior banco da América Latina, ao menos por ora.

O mercado está atrás de valor, e de qualquer coisa com risco-retorno atrativo. Uma taxa básica Selic alta protege o câmbio do cenário turbulento. Nesse cenário, as ações de bancos parecem uma boa alternativa para alocação desses dinheiros.

Apesar das altas, os fundamentos dos bancões parecem estar ainda distantes do que chamaríamos “caros”, mesmo com alguma piora de inadimplência à vista em decorrência da inflação em alta. O Banco do Brasil deve pagar 7,6% em rendimento de dividendos, ou dividend yields, ao acionista este ano; o Santander Brasil, 10,2%.

Em um ranking de Retorno sobre o Patrimônio Líquido, os bancões brasileiros estão entre os mais rentáveis do mundo, mostram dados da Economática. Entre todas as instituições financeiras com mais de US$100 bilhões em ativos, apenas dois bancos americanos superam o Santander Brasil. O Itaú Unibanco aparece em quinto lugar, enquanto Bradesco e Banco do Brasil são o sétimo e o oitavo.

Os múltiplos de preço por valor patrimonial dessas ações estão distantes das máximas, mas as receitas estão perto. Contudo, não é por conta dos fundamentos que entendo que os bancos brasileiros sejam atrativos.

Os bancões comerciais parecem atrativos porque há mais compradores no mercado do que vendedores. Suas ações são escolhas defensivas para o investidor, protegidas por um colchão de dividendos, e que, em minha opinião, devem continuar superando o Ibovespa – em retornos e volatilidade – daqui até o final do ano.

Outra coisa: em uma eventual queda violenta no preço das commodities – com um cessar-fogo na Ucrânia ou o começo de uma recessão econômica, por exemplo, – para onde será que os estrangeiros vão rotacionar suas aplicações nas exportadoras, como Vale e Petrobras?

Texto: Felipe Corleta
Edição: Guillermo Parra-Bernal
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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