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Resgates criam crise de liquidez e barbadas para o longo prazo na B3: Coluna

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Resgates criam crise de liquidez e barbadas para o longo prazo na B3: Coluna

Com ações desvalorizadas, "o atual momento técnico do mercado está cheio de boas oportunidades na B3 para montar uma aposentadoria legal"

Resgates criam crise de liquidez e barbadas para o longo prazo na B3: Coluna
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Atualizado há cerca de 1 mês

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São Paulo, 14 de abril – A falta de apetite de quase todos os tipos de investidores por ações menos líquidas na B3 está criando alternativas fáceis para quem busca crescer seu patrimônio olhando para prazos mais longos.

Estamos em meio à maior onda de resgates de fundos multimercado e de ações em pelo menos oito anos. Nesse cenário, gestores profissionais estão rasgando suas formações técnicas ou fundamentalistas e liquidando posições, outrora escolhidas a dedo para o longo prazo, a qualquer preço.

Os motivos? Os juros reais atrativos do Brasil, a guerra na Ucrânia, o aperto monetário do Federal Reserve, a inflação mundial, a iminente crise alimentar… enfim.

Por sua parte, o investidor estrangeiro só tem olhos para ativos muito líquidos na B3. Mesmo que o país hoje se destaque ante outros emergentes, há tempos que os dólares de longo prazo não se deixam mais seduzir pela gente.

Enquanto isso, o investidor pessoa física, ou não vê, ou ignora o cavalo passar encilhado, ao preferir a sombra fresca do 1% ao mês que oferece a renda fixa local. Esquece, talvez, que esse retorno é nominal e que a inflação é a mais alta em duas décadas.

Ou seja: com os estrangeiros ausentes, os fundos locais correndo para vender ativos e atender os resgates de seus clientes e as pessoas físicas indiferentes para o vaivém da renda variável, os livros de ofertas de ações da B3 de segunda e terceira linha vivem uma verdadeira crise de liquidez.

Há mais de uma bolsa na B3. Mesmo com o Ibovespa cerca de 10% abaixo do topo histórico, o preço médio de uma cesta com as 232 ações mais líquidas do mercado está a 51% das máximas já registradas, e a 36% das máximas registradas nos últimos 12 meses.

O que quer dizer isso? Que a ausência de compradores dá suporte a essa brecha na cesta que calculei. Nessa mesma cesta há empresas com bons fundamentos, margens gordas, receitas amplas e solvência – mesmo se incorporássemos os efeitos da alta dos juros e da inflação.

Alguns gestores próximos me disseram nesta semana que o atual momento técnico do mercado está cheio de boas oportunidades na B3 para montar uma aposentadoria legal.

Vamos a alguns exemplos.

O primeiro é a incorporadora Melnick (MELK3), cuja ação vale a metade do que precificou na sua oferta inicial, há 17 meses. No mesmo período, a margem bruta passou de 9% para 15% e a receita trimestral mais do que dobrou, para R$236 milhões. Para o TC Matrix, o risco de insolvência da Melnick é o menor no setor.

Aí vem a Irani (RANI3), do setor de celulose e embalagens. A companhia apresenta retorno sobre capital investido acima de 18%, se insere nas teses seculares do e-commerce e deve abandonar as embalagens plásticas. O papel está 33% abaixo das máximas e o múltiplo que relaciona preço e lucro despencou de 17 vezes para 5,6 vezes.

Fundos locais desovaram quase R$100 milhões em ações da Lojas Quero-Quero (LJQQ3) nos últimos 90 dias. Para o BTG Pactual, “a exposição a juros e inflação deve seguir pressionando as ações da Quero-Quero no curto prazo”, após dar preço-alvo de R$19,00 para o papel. Hoje negocia ao redor de R$9,30 cada.

Falando em preço justo, analistas do Itaú estimam que as ações do Banco Inter (BIDI11), hoje negociadas abaixo de R$17,00, valem R$65,12.

O cenário complicado pode atrasar a recuperação. Mas quem tentar acertar na mosca, vai errar. Algum dia, não tão remoto, o Banco Central vai começar a cortar a taxa básica Selic – e aí vai ficar na boca aquele gosto de haver deixado passar uma boa oportunidade.

Olhando para o cavalo encilhado e para o futuro da sua carteira de investimentos, hoje pode ser melhor estar montado do que a pé. Mas mantenha sempre um omeprazol por perto.

DISCLAIMER: Felipe Corleta é colunista e editor da Mover. As opiniões dele não necessariamente refletem a posição da Mover

Texto: Felipe Corleta
Edição: Guillermo Parra-Bernal
Imagem: Vinicius Martins /Mover

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BANCO INTER S.A.

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