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AMER3

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Atualizado há cerca de 1 mês

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Essa semana falo sobre a Vale (VALE3). Estamos em um forte sell-off no minério de ferro. Isto ocorre porque a China, maior consumidora da commodity no mundo, está fazendo algumas ‘manobras’ para que o preço caia e eles consigam segurar a inflação que segue alta não só por lá, mas no mundo todo.

Ações da Vale (VALE3) desvalorizaram junto com derrocada no valor do minério

O minério de ferro cai mais de 50% desde o topo de julho, quando alcançou US$215.Vale

Isso acabou impactando fortemente todas as empresas de siderurgia e mineração ao redor do mundo, e não foi diferente com a Vale (VALE3) que é uma das maiores no planeta. Junto com a derrocada no valor do minério, veio também uma forte desvalorização nas ações da empresa, que cai quase 28% desde o topo de julho.

Distribuição de dividendos anima investidor de longo prazo

A pergunta que fica é: com esse sell-off do minério, caso o preço da commodity não se recupere no curto prazo, até onde podem cair as ações da Vale? Bom, temos que considerar o cenário como um todo e analisarmos algumas correlações.

Primeiro, falando um pouco mais do fundamento da empresa, na última quinta-feira, 16, a companhia anunciou uma gorda distribuição de dividendos.Vale

Isso animou bastante quem tem posição na Vale (VALE3) e é um investidor de longo prazo. Logo em seguida, houve recomendação de venda por um grande banco. Isso indicou que o excesso de minério no mercado e o fato de a Vale cobrar mais por seu minério ter um teor mais puro que o padrão de mercado, seriam fatores preponderantes para a ação perder a atratividade no curto prazo. Já outra casa manteve outperform no papel, enfatizando o gordo pagamento de dividendos.

Sem reação imediata do minério de ferro, Vale (VALE3) pode continuar em viés baixista

E na parte técnica? Se fizermos o comparativo do minério de ferro diretamente com a Vale, vemos que o os dois estavam andando muito próximos até julho de 2021 e agora o descolamento para baixo do minério de ferro está bem acentuado. Enquanto o minério de ferro cai quase 36% da última semana de dezembro de 2020 até esta sexta-feira, 17, a Vale (VALE3) sobe 4,69%. O ADR da companhia negociado na bolsa de Nova York, onde temos o peso do dólar embutido, cai ‘apenas’ 4,56%.

Isso nos dá margem a interpretar que se não houver uma reação imediata do minério de ferro, temos espaço sim para que a Vale (VALE3) continue no seu viés baixista. Olhando única e exclusivamente o gráfico da companhia, temos uma região importante de suporte nos R$84, onde passa a retração de 38,2% de Fibonacci. Ela mostra toda a pernada de alta que ocorreu desde março de 2020 a maio de 2021, em que a empresa se valorizou quase 304%.Vale

Se viermos a perder esse patamar de R$84 a R$82, fundo de fevereiro de 2021, temos uma grande probabilidade de buscar a retração de 50% nos R$73,69, uma queda potencial de mais 12%. Mais abaixo, temos importantíssimo suporte na região dos R$63,20. No entanto, no curto prazo acho muito improvável que seja alcançado, a não ser que vejamos um sell-off não apenas no minério, mas nos mercados em geral.

Devido a ruídos internos e da própria China, momento é de cautela

Enfim, gostaria de estar falando de perspectivas altistas para o papel, que é o que eu faço aqui na grande maioria das minhas colunas. Contudo, o momento é de cautela, especialmente em nosso mercado com ruídos bem acima do normal em comparação a outros países, com políticos sempre tomando mais atenção do que deveriam. Junte-se a isso ruídos externos como os que vêm da própria China, como, por exemplo, a possibilidade de uma gigantesca incorporadora que corre o risco de quebrar afetar a percepção de risco dos investidores, especialmente em mercados emergentes.

Sendo assim, você acha que o momento é de pisar no acelerador ou redobrar a atenção e manter uma velocidade mais comedida à espera de dados que possam te trazer uma visão mais clara dos próximos movimentos do mercado? Eu ficaria com a segunda opção.

Como sempre deixo o alerta: além da análise da movimentação dos preços via AT, devemos considerar o cenário macro/micro atual, perspectivas de curto prazo para o setor e decisões políticas que afetam diretamente a economia – e no Brasil costumam fazer bastante preço – para avaliarmos se faz sentido investir nessa empresa. Para mais informações sobre a Vale, acesse o site de Relações com Investidores.

Arte: Vinícius Martins / Mover


DISCLAIMER: As informações disponibilizadas na coluna são meramente opiniões do COLUNISTA na data em que foram expressas e não declarações de fatos ou recomendações para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários, ou ainda, qualquer recomendação de investimento.


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