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Atualizado há 5 meses

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A moderação do presidente Jair Bolsonaro em suas críticas ao Judiciário, esperada pelo Senado no Dia da Independência, deve destravar o relacionamento da Casa com o governo. É o que disseram fontes ao Scoop by Mover. Essa mudança no tom também poderá permitir a retomada da pauta econômica.

De acordo com uma das fontes, grande parte dos senadores enxerga o presidente Bolsonaro e seu governo sem credibilidade para levar adiante temas como as reformas e privatizações. Essa percepção ocorre principalmente entre agentes de peso da economia. Essa falta de credibilidade se agrava com o cenário de desemprego elevado, inflação em alta e projeção de baixa expansão econômica em 2022.

Para outra fonte, que pediu anonimato para falar sobre o assunto, o Senado não está satisfeito com a forma como o governo trata a chamada “Câmara Alta” do Parlamento. Espera-se uma acolhida de alto nível. Essa fonte contou ainda ao Scoop que senadores também apoiam um programa social de impacto significativo e maior planejamento na gestão federal. E citaram como maus exemplos a crise hídrica, as ações do governo na pandemia e as dificuldades com o pagamento de precatórios.

As relações entre as instituições estão estremecidas também porque muitas sugestões de texto de senadores em projetos que passam pela Casa são alegadamente desconsideradas quando devolvidos à Câmara para revisão. Eles também reclamam da inclusão de jabutis, objetos estranhos às matérias, apoiados por deputados e chancelados pelo governo.

Manter boa relação com o Senado é importante

A possível candidatura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ao Palácio do Planalto não é um fator desfavorável à pauta econômica e nem pode ser descartada. Vale ressaltar que a candidatura é encampada por um dos políticos mais hábeis do país, Gilberto Kassab.

Pesa ainda o fato de o Senado estar no centro das apurações da Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI, da Covid. O negacionismo de Bolsonaro e os ataques dele às instituições pressionam o colegiado a responsabilizá-lo no inquérito final. Além de levar os senadores a resistirem a pautas de interesse do governo, em resposta à opinião pública.

Moderação de Bolsonaro e as reformas

A moderação presidencial pode, portanto, favorecer entendimentos com a Câmara para que o Refis, defendido por Pacheco, avance entre os deputados. Assim como a Reforma do Imposto de Renda, que ainda vai passar pelos senadores. Isso tendo como base a contemplação dos estados e a redução da alíquota da tributação de dividendos.

A melhora no clima político também facilitaria a privatização dos Correios, que pode ter sua discussão concluída também neste mês. É o que sinalizaram Rodrigo Pacheco e o ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta semana. A depender de como o chefe do Executivo se comportará no 7 de setembro, a Reforma Administrativa pode ser aprovada depois de passar pela Câmara, o que deve acontecer neste mês.

Quanto à Reforma Tributária, a prioridade continua sendo a versão ampla, sob relatoria do senador Roberto Rocha, pela popularidade e apoio que possui entre empresários e entes federados. Guedes tem sido mais colaborativo, abrindo-se para negociações, disseram as fontes.

Texto: Leopoldo Vieira e Machado da Costa
Arte: Vinícius Martins / Mover


DISCLAIMER: As informações disponibilizadas na coluna são meramente opiniões do COLUNISTA na data em que foram expressas e não declarações de fatos ou recomendações para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários, ou ainda, qualquer recomendação de investimento.


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