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Bitcoin derrete; perspectivas não são animadoras, dizem especialistas

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Bitcoin derrete; perspectivas não são animadoras, dizem especialistas

Uma soma de fatores que dizem respeito ao próprio mercado de criptoativos e ao cenário macroeconômico faz o Bitcoin cair sucessivamente

Bitcoin derrete; perspectivas não são animadoras, dizem especialistas
stefanie-rigamonti

Atualizado há 4 meses

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São Paulo, 20 de janeiro – Desde o fim do ano passado, o Bitcoin atravessa um período de perdas, acumulando queda de mais 40% desde que atingiu as máximas, em 2021. Apenas nesta sexta-feira, o Bitcoin cai mais de 7% nas últimas 24 horas, rondando os US$38 mil, e as expectativas no curto prazo não são nada animadoras, segundo especialistas consultados pela Mover.

Para entender as perspectivas para a criptomoeda, é importante conhecer a soma de fatores que levaram às quedas recentes do Bitcoin. O especialista em criptoativos do TC Paulo Boghosian explica que alguns dos motivos têm a ver com o próprio mercado.

“No ano passado, a gente viu um movimento de realização de lucros relevante por parte de fundos macro. Também vimos um fluxo vendedor muito grande da Ásia porque a China baniu trading de criptomoedas e exigiu que todas as corretoras zerassem o saldo dos clientes até 31 de dezembro”, explica Boghosian.

Além disso, questões macroeconômicas também influenciam no desempenho do Bitcoin, sendo uma delas a indicação de aceleração do aperto monetário nos Estados Unidos por parte de dirigentes do Federal Reserve, banco central americano, e da ata do Comitê Federal de Mercado Aberto, Fomc.

Há sinalizações de antecipação do aumento da taxa básica de juros nos EUA desde o fim do ano passado, e o Fed deverá começar a retirar liquidez dos mercados, vendendo os títulos que tem em carteira.

“Esse movimento é impactante para todas as ações de ‘growth’, os ativos de risco da economia, inclusive as criptomoedas, principalmente Bitcoin e Ethereum, que hoje são negociados como ativos mais macros”, explica Boghosian.

O especialista Lucas Passarini, do Mercado Bitcoin, acrescenta o pacote de infraestrutura americano como um dos fatores que contribuíram para o movimento de baixa do ativo, já que o programa taxou de forma ampla os provedores de serviço de criptoativos, e o avanço dos contágios por coronavírus no mundo provocados pela nova cepa, a ômicron.

No que prestar atenção

Recentemente, um termo usado como indicador para o mercado dos criptoativos criou um grande frisson na internet: cruz da morte. O Bitcoin está para atravessar essa linha, mas especialistas dizem que não há com o que se preocupar, já que o indicador mostra o que já foi e não guarda nenhuma novidade.

“A cruz da morte é quando a média móvel de 50 períodos cruza para baixo a média móvel de 200 períodos no gráfico diário. É um indicador atrasado que nos diz o que já sabemos. Porém, acaba sendo utilizado como referência para estudar possíveis pontos de suporte/resistência”, explica Passarini.

Então, o que vem pela frente? O especialista diz que, no curto prazo, as criptomoedas ainda devem sofrer com baixos volumes de negociação e com a pressão do cenário macroeconômico. “Espera-se que tanto o Bitcoin quanto os demais criptoativos continuem um movimento corretivo ou de consolidação que pode durar semanas”.

Boghosian concorda com essa previsão de curto prazo. “Aqui no TC achamos que o Bitcoin deve continuar sofrendo com essa pressão vendedora, mas que muito possivelmente isso termine em março, quando começarem as altas da taxa de juros [nos EUA]”.

O especialista diz que essa projeção está atrelada à ideia de que o mercado se antecipa ao que virá, vendendo antes do início do aumento da taxa básica de juros americana. Contudo, quando o movimento acontecer de fato, já estará tudo precificado, e o mercado deve voltar a comprar por volta de março.

“Isso vale tanto para criptos como para ações de ‘growth’, de techs, Nasdaq e por aí vai (…) Está tudo sendo impactado pelo mesmo movimento do banco central americano”, afirma Boghosian.

Vale ressaltar que, embora não exista sempre essa correlação, com a situação macroeconômica atual, o Bitcoin e outras criptomoedas estão caminhando em linha com ações de tecnológicas e com o índice norte-americano que reúne essas companhias, a Nasdaq.

A expectativa do especialista do TC de aquecimento do Bitcoin no médio e longo prazo está de acordo com as projeções de clientes consultados pelo JPMorgan, que indicaram otimismo quanto ao futuro da moeda, segundo publicação recente.

A maioria acredita que a moeda vai chegar a US$60 mil, ou passar disso, até o fim do ano, e 14% dos entrevistados acham que pode alcançar os US$80 mil.

Mas muitos analistas acreditam em um 2022 morno para o setor. “Espera-se um ano de maior consolidação, e muitas criptos que se valorizaram demais podem passar por um longo período de correção”, afirma Passarini.

“Já as perspectivas em torno do Bitcoin é que ele passe por um longo período de acumulação, com pontuais eventos de volatilidade, para que retome um novo ciclo de alta no próximo halving, em 2024”, completa.

Mas Passarini lembra que o mercado está amadurecendo e o comportamento visualizado em ciclos passados pode não se repetir na mesma escala ou ritmo.

Na toada do Bitcoin?

Geralmente as demais criptomoedas seguem a tendência altista ou baixista do Bitcoin, e é isso que está acontecendo agora no mercado. Inclusive, muitas vezes as altcoins têm uma reação ainda mais extrema de alta e baixa.

Contudo, Boghosian diz que pode haver um cenário positivo para as outras criptomoedas, com o Bitcoin ficando de lado, porque as altcoins são menos impactadas pelo cenário macro, atraindo mais pessoas físicas ou fundos nativos em cripto.

“Claro, se há uma realização grande no Bitcoin e no Ethereum, é inevitável que contagie o mercado inteiro. Agora, se é uma queda gradual ou uma estabilização em uma faixa de preço, como a gente tem visto recentemente, com o Bitcoin entre US$40 mil e US$46 mil, isso favorece o mercado das altcoins. Então, é uma dinâmica nada trivial e dá para fazer bons trades aproveitando essa relação”, aposta.

Texto: Stéfanie Rigamonti
Edição: Renato Carvalho e Nicolas Nogueira
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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