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Atualizado há 4 meses

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São Paulo, 28 de junho – A corretora Huobi, que atua no setor de criptomoedas, proibiu os chineses de negociar derivativos nesta segunda-feira, 28, segundo consta no próprio site. A medida ocorreu em resposta às restrições impostas pelo governo local sobre os criptoativos, demonstrando que o Partido Comunista está intensificando a perseguição aos ativos digitais descentralizados.

 

Corretora Huobi já havia reduzido a alavancagem máxima na China

Há duas semanas, a corretora Huobi havia reduzido a alavancagem máxima de 125 vezes para cinco vezes na China. Mesmo assim, ela resolveu banir totalmente as negociações do mercado futuro, que é um dos setores mais combatidos pelo governo chinês desde maio.

“Pessoas normais que especulam com os derivativos fazem o equivalente a um jogo de azar disfarçado”, disse recentemente Guo Shuqing no Fórum Lujiazui, em Shanghai. Shuqing é presidente da Comissão Reguladora de Bancos e Seguros da China e se referiu ao mercado geral, não somente aos derivativos de criptomoedas.

 

Decisão da corretora Huobi reflete cerco da China às criptomoedas

Um dos pontos que contribuíram para o recente tombo das criptomoedas foram as medidas duras do governo chinês, que antecederam as medidas da corretora Huobi. Em meados de maio, o país intensificou o cerco proibindo instituições financeiras e empresas de pagamentos de oferecer serviços relacionados às criptomoedas. A ação é uma tentativa de aumentar o controle das transações antes do lançamento oficial do yuan digital, ou e-CNY, a nova moeda digital chinesa.

Dias depois, a ata do 51º Comitê de Estabilidade Financeira e Desenvolvimento do país também criticou os criptoativos. O vice-premiê da China, Liu He, disse que o país quer “prevenir e controlar os riscos financeiros de forma definitiva”, segundo o documento. A Mongólia Interior, região da China que costumava ser um hub de mineração de criptomoedas, também propôs medidas duras contra pessoas ligadas ao setor. O movimento está ligado a uma busca pela diminuição das emissões de carbono na região.

Já em 18 de junho, a gigante da informática e do comércio virtual, Alibaba, avisou que pode cancelar os domínios das empresas ligadas às criptomoedas na China, além de suspender o armazenamento dos dados na nuvem dessas companhias, em novo desenrolar das políticas de repressão chinesas. Fabrício Tota, diretor da Mercado Bitcoin, não acredita que medidas do governo e da corretora Huobi consigam conter as criptomoedas devido às tecnologias descentralizadas. “Os efeitos de curto prazo podem ser ruins, mas no médio e longo prazo, podemos notar que o Bitcoin, principalmente, se comporta de maneira indiferente a tais medidas”, disse.

 

Riscos de investir em criptomoedas

Apesar da atratividade e de sua crescente demanda, as criptomoedas possuem muita volatilidade. Suas cotações têm grandes flutuações em curtos períodos de tempo, parte do motivo de ainda não terem decolado como meio de pagamento global. Além disso, os movimentos erráticos de mercado, a possibilidade de roubo de registros de criptomoedas por hackers e a suspeita de manipulação de mercado também fazem parte do risco do investimento.

Muitas operações envolvendo criptomoedas são realizadas de forma não regulamentada, com riscos operacionais e regulatórios. É possível encontrar diversos casos em que o dinheiro simplesmente some, é roubado por um hacker ou o investidor sofre um golpe financeiro.

Por outro lado, o risco de controle da moeda por meio do governo com medidas regulatórias ao passo que as criptomoedas ganham notoriedade, como as que levaram à decisão da corretora Huobi, pode afastar investidores.

Texto: Nicolas Nogueira
Edição: Cíntia Thomaz e João Pedro Malar
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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