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Atualizado há 4 meses

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São Paulo, 21 de junho – Em meio à pandemia do coronavírus, queda generalizada das bolsas globais, incertezas e volatilidade no câmbio, um mercado em especial ganhou forças: o das criptomoedas. O rali iniciado no ano passado se arrastou para 2021. Agora, com o aumento da demanda pelas moedas digitais, o Brasil ganhou seu primeiro ETF de criptomoedas, o chamado HASH11.


O que é o HASH11?

Os Exchange Traded Funds, ou simplesmente ETFs, são fundos de investimentos negociados na bolsa que buscam acompanhar determinado índice de preços. No caso do HASH11, é o Nasdaq Crypto Index, ou NCI, índice que a Nasdaq e a Hashdex desenvolveram em conjunto.

O NCI é flutuante, ou seja, a sua composição pode variar. Atualmente, ele é amplamente baseado no Bitcoin e no Ethereum, além de conter a Stellar, o Litecoin, o Bitcoin Cash e o Chainlink. Recentemente foram adicionados a Filecoin e o token Uniswap, também conhecido apenas como UNI. Ou seja, o investimento não está direcionado a apenas um ativo, mas em uma cesta de criptomoedas, o que colabora para diversificar a carteira de criptoativos.

Porém, o diretor do Mercado Bitcoin, plataforma de criptomoedas e ativos digitais, Fabrício Tota, aponta algumas desvantagens em investir em fundos, como não ter a liberdade de movimentar ativos e fazer determinadas operações, além dos custos, como a taxa de administração.


Clubes de investimentos x HASH11

No final de maio, diversos clubes de investimentos relataram que receberam um comunicado das corretoras para que zerassem suas posições em HASH11. Os clubes que mostraram pontos na regulamentação da B3 e da Comissão de Valores Mobiliários, CVM, que permitem esse investimento, no entanto, não foram obrigados a tirar os ativos do portfólio.

Para Fabrício Tota, a polêmica é uma questão de regulação que precisa ser adequada. Ainda não ficou claro se os clubes podem ou não investir no fundo de criptomoedas.


Brasil tem um dos maiores lucros em Bitcoin em 2020

A criação do HASH11 aconteceu em um momento de ascensão das criptomoedas, não apenas no Brasil, mas também no mundo inteiro. Conforme a Chainalysis, empresa de análise em blockchain, o Brasil obteve ganho de US$290 milhões com Bitcoin em 2020, ocupando a 16ª posição na lista de países que mais lucraram com a criptomoeda no período. Os EUA lideram o ranking, com US$4,09 bilhões em lucro realizado, seguido da China, com US$1,15 bilhão, e do Japão, com US$930 milhões.

O diretor do Mercado Bitcoin considera que o Brasil ainda tem interesse menor do que deveria nas criptomoedas, dado o cenário de economia frágil e os problemas cambiais. “Houve uma procura maior em relação ao mercado de investimentos nos últimos anos. O investidor está mais curioso, procurando diversificar sua carteira, o que acaba impactando no interesse no mercado de cripto, mas ainda estamos aquém do que poderíamos ser”.


Depreciação do dólar ajuda as criptomoedas

A depreciação do dólar no exterior, inclusive diante de outras moedas, como o euro, por exemplo, por conta do forte aumento do déficit público americano com os gastos para conter os efeitos da pandemia, favoreceram o Bitcoin, que é visto como uma alternativa para a proteção do valor real do dinheiro.

A alta do dólar em relação ao real, por sua vez, amplia essa alta no preço do Bitcoin, que acaba puxando as demais criptomoedas para cima. O Bitcoin foi apontado por parte do mercado como um investimento seguro no momento mais crítico da pandemia, usado como proteção cambial e de outros ativos, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, FGV.


Riscos de investir nas criptomoedas

Apesar da atratividade e de sua crescente demanda, as criptomoedas possuem muita volatilidade. Suas cotações têm grandes flutuações em curtos períodos de tempo, parte do motivo de ainda não terem decolado como meio de pagamento global, apesar de estarem em pleno crescimento.

Além disso, os movimentos erráticos do mercado, a possibilidade de roubo de carteiras de criptomoedas por hackers e a suspeita de manipulação de mercado também fazem parte do risco do investimento. Muitas operações envolvendo criptomoedas são realizadas de forma não regulamentada, com riscos operacionais e regulatórios.

É possível encontrar diversos casos em que o dinheiro simplesmente some, é roubado por um hacker ou o investidor sofre um golpe financeiro. Por outro lado, o risco de controle da moeda por meio do governo com medidas regulatórias, ao passo que as criptomoedas ganham notoriedade, pode afastar investidores.


China adota medidas duras contra criptomoedas

Um dos pontos que contribuíram para o recente tombo das criptomoedas foram as medidas duras do governo chinês. Em meados de maio, a China intensificou o cerco proibindo instituições financeiras e empresas de pagamentos de oferecer serviços relacionados às criptomoedas. A ação é uma tentativa de aumentar o controle das transações antes do lançamento oficial do yuan digital, ou e-CNY, a nova moeda digital chinesa.

Dias depois, a ata do 51º Comitê de Estabilidade Financeira e Desenvolvimento do país também criticou os criptoativos. O vice-premiê da China, Liu He, disse que o país quer “prevenir e controlar os riscos financeiros de forma definitiva”, segundo o documento. A Mongólia Interior, região da China que costumava ser um hub de mineração de criptomoedas, também propôs medidas duras contra pessoas ligadas ao setor. O movimento está ligado a uma busca pela diminuição das emissões de carbono na região.

Na última sexta-feira, 18, a gigante da informática e do comércio virtual, Alibaba, avisou que pode cancelar os domínios das empresas ligadas às criptomoedas na China, além de suspender o armazenamento dos dados na nuvem dessas companhias, em novo desenrolar das políticas de repressão chinesas. Fabrício Tota não acredita que essas medidas consigam conter as criptomoedas devido às tecnologias descentralizadas. “Os efeitos de curto prazo podem ser ruins, mas no médio e longo prazo, podemos notar que o Bitcoin, principalmente, se comporta de maneira indiferente a tais medidas”, disse.


Elon Musk mexe com as cotações dos criptoativos

Além das restrições da China, há outro ponto que contribuiu para a volatilidade das criptomoedas. Os influenciadores digitais, em especial o emblemático empresário Elon Musk, estão contribuindo para as oscilações nas cotações dos criptoativos.

A Tesla, fabricante de carros elétricos de Elon Musk, comprou US$1,5 bilhão de Bitcoin e começou a aceitar a criptomoeda como meio de pagamento. As criptomoedas, não apenas o Bitcoin, explodiram. Mas quando ele anunciou que a empresa não aceitaria mais o criptoativo por questões ambientais, as cotações despencaram.

Recentemente, porém, o empresário voltou atrás e disse, em seu Twitter, que adotaria novamente o Bitcoin, caso cerca de 50% dos mineradores usassem energia limpa. Ele também puxou o preço do Dogecoin ao publicar a favor da criptomoeda meme. Com isso, Elon Musk foi acusado nas redes sociais de manipular os preços das criptomoedas. Fabrício Tota alerta que, independentemente das declarações de Musk, “ainda teremos muita volatilidade por anúncios de curto prazo quando tivermos mais influenciadores chegando”.


Diretor do Mercado Bitcoin indica estudar e começar a investir

A dica de Fabrício Tota a investidores iniciantes em criptomoedas é certeira: “estudar e começar”. Para entender melhor sobre o HASH11, leia aqui o artigo do TC School sobre o tema. Confira abaixo também um vídeo sobre o Bitcoin e se ainda vale a pena investir na criptomoeda.



Texto: Letícia Matsuura
Edição: Melina Flynn e Nicolas Nogueira
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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