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Aliansce Sonae busca manter negociação com brMalls sem alterar proposta

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Aliansce Sonae busca manter negociação com brMalls sem alterar proposta

Diante da recusa inicial da brMalls, o plano da Aliansce Sonae agora é engajar os acionistas para mostrar os méritos da operação

Aliansce Sonae busca manter negociação com brMalls sem alterar proposta
ivan-david

Atualizado há 4 meses

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São Paulo, 19 de janeiro – A Aliansce Sonae busca manter as negociações com a brMalls para uma combinação das operações, sem, no entanto, alterar a proposta inicialmente rejeitada, apostando no engajamento dos acionistas e investidores para tirá-la do papel, que resultaria na criação da maior operadora de shopping centers da América Latina.

Diante da recusa inicial da brMalls aos termos apresentados para a união, o plano agora é engajar os acionistas para mostrar os méritos da operação, segundo uma fonte ligada à administração da Aliansce Sonae ouvida pelo Scoop by Mover.

Entre os principais investidores da brMalls estão as gestoras Squadra Investimentos, Velt Partners e Atmos Capital.

“A recusa da proposta faz parte do jogo”, disse. “Nós vamos continuar conversando com os stakeholders da brMalls para demonstrar os méritos da operação”, disse a fonte.

A ideia de trazer para o seu lado investidores da brMalls foi o que motivou a Aliansce Sonae a revelar ao mercado detalhes de sua proposta na última sexta-feira, 14, apresentada à brMalls em 4 de janeiro e que vinha sendo tratada internamente entre as partes.

De acordo com a fonte, a divulgação permitiu “reduzir a assimetria de informações” a respeito da transação, que estava no radar do mercado desde o final do ano passado, quando surgiram as primeiras notícias sobre conversas preliminares para uma possível fusão.

“Quando se tira a assimetria de informações, todas as partes podem avaliar a proposta. Agora é a hora do pessoal fazer conta, entender o mérito da proposta”, disse.

A tarefa da Aliansce Sonae de convencer a brMalls a aceitar a sua oferta não será simples. Apesar de ver méritos numa fusão, diante das dificuldades enfrentadas pelas operadoras de shopping centers durante a pandemia e o crescimento da concorrência do varejo eletrônico, a brMalls demonstra resistência aos termos apresentados para uma união.

A Aliansce Sonae está propondo uma fusão de iguais para a combinação dos negócios. A oferta prevê uma combinação de troca de ações, mais um valor financeiro para os acionistas da brMalls. Para cada ação desta última em custódia, o acionista receberia 0,3177 ação da Aliansce Sonae, mais R$1,62 em dinheiro, parcela que totaliza R$1,35 bilhão.

Para uma fonte ligada à brMalls ouvida pelo Scoop, no entanto, não é possível falar em fusão de iguais, citando diferenças no desempenho operacional de ambas. Segundo ele, as vendas por metro quadrado da brMalls são 14% maiores que as da Aliansce, que o aluguel por metro quadrado é 17,5% superior e que o lucro operacional líquido é 26% maior.

“Dos dez principais shoppings centers que a empresa combinada teria, sete seriam da brMalls”, disse a fonte.

Além disso, o conselho de administração da brMalls entende que a operação não é uma fusão, mas uma incorporação, citando que os acionistas de referência da Aliansce Sonae – CPP, o fundo de pensão canadense, os grupos europeus do setor de shoppings Sonae Sierra e Alexander Otto Group e o fundador da Aliansce, Renato Rique – terão cerca de 24,5% da companhia a ser criada e quatro das nove cadeiras no conselho de administração, sem pagamento de prêmio para assumir o controle.

“Se há bloco de controle, é uma aquisição”, disse a fonte. “E como é uma proposta de aquisição, é preciso pagar prêmio, algo que não está na proposta.”

Isso não significa que a brMalls não está interessada em continuar negociando, segundo a fonte. “A negativa é pela proposta apresentada. Nada impede que, mais para frente, voltemos a falar com a Aliansce Sonae ou com outros nomes”, disse.

Procuradas pelo Scoop, a Aliansce Sonae e a brMalls informaram que não comentariam o assunto.

Gerando valor

Analistas que acompanham o setor de shopping centers veem grandes chances de a fusão se concretizar, citando sinergias milionárias, um salto no valor de mercado, queda na desalavancagem financeira e melhorias na governança corporativa.

Analistas do Banco Safra entendem que as sinergias somariam entre R$1,4 bilhão e R$2,6 bilhões ao valor de mercado das duas empresas somadas – acrescendo entre 12% e 22% aos preços das ações.

Eles apontam ainda que a nova companhia teria 79 shoppings e volume de vendas anuais de cerca de R$36 bilhões, o que supera gigantes do varejo e do e-commerce como Via Varejo e Americanas – com R$24 bilhões e R$19 bilhões -, e se aproxima de MercadoLibre e Magazina Luiza – R$48 bilhões e R$44 bilhões, respectivamente.

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Texto: Ivan Ryngelblum
Edição: Allan Ravagnani
Imagem: Divulgação

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