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Atualizado há cerca de 2 meses

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São Paulo, 2 de dezembro– Mais de 63 milhões de brasileiros compunham a lista de inadimplentes em outubro, o maior número desde julho de 2020, quando eram 63,5 milhões de pessoas endividadas, conforme levantamento da Serasa. Esse cenário ocorre em meio a um ciclo de alta na taxa básica de juros, a Selic, que encarece os empréstimos e aumenta o risco de inadimplência. Porém, ao mesmo tempo, a demanda por crédito cresceu pelo sexto mês seguido, com alta de 8% em outubro, segundo o  Índice Neurotech de Demanda por Crédito, INDC.

Denominado “Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas no Brasil”, o estudo da Serasa mostrou que a quantidade de débitos no Brasil aumentou 2,31% em relação à setembro. O valor das dívidas também está maior, com alta de 3,37% , com uma média de R$4.000 por pessoa.

O setor líder em inadimplência é o de bancos e cartões de crédito, que representa 28,7% do total de débitos, seguido pelo segmento de tarifas básicas como contas de água e luz, que somam 23,5% do total de contas não pagas, além do varejo que concentra 13% das dívidas.

São Paulo, Rio, Minas Gerais, Bahia e Paraná concentram o maior número de devedores. Contudo, esses também são os lugares com maior volume de dívidas negociadas.

A gerente do Serasa Limpa Nome, Aline Maciel, afirmou que apesar da alta do número de inadimplentes, a busca por  negociação também cresceu. Ela frisou que o momento é propício para a realização de acordos. “Para muitos brasileiros, o primeiro passo para o recomeço é estar com o nome limpo. E esse é o melhor momento do ano para renegociar sob condições diferenciadas, já que até 6 de dezembro se realiza o Feirão Limpa Nome, que com descontos de até 99% já possibilitou mais de 3,6 milhões de acordos”, completou.

Aumento da demanda por crédito

De acordo com o INDC, há uma tendência do brasileiro em retomar as atividades do pré-pandemia, fato observado com o aumento da demanda por créditos pelo sexto mês consecutivo, com crescimento de 8% na busca por financiamentos em outubro, em relação ao mês anterior.

As pesquisas mostraram que a maior parte dos gastos é com o setor de serviços, com aumento de 33% e os bancos, apresentaram alta de 7%, ambos em comparação com dados de setembro.

A busca por crédito foi 10% superior em outubro deste ano, além do crescimento de 82% do segmento de serviços. A intenção de gastos com instituições financeiras foi elevada em 3%, e para o varejo, não houve alta, ficando em 0%, todos no comparativo com o mesmo mês do ano passado.

Na visão do diretor executivo da Neurotech, Breno Costa, o resultado aponta um direcionamento das pessoas para a priorização do lazer e outras atividades, reservando menos gastos para o consumo material.

“Economicamente, o país ainda passa por dificuldades e a inflação torna grande parte dos produtos muito mais caros. Não é tão diferente com o setor de serviços, por exemplo, mas para uma população que aguentou tanto tempo dentro de casa, sem poder sair, é normal que ela queira gastar mais com lazer, turismo, entre outros pontos, até mesmo para retomar a forma de se relacionar com o mundo externo”, argumentou.

Entenda a relação entre Taxa Selic e inflação

A taxa Selic é uma ferramenta usada pelo Banco Central para estimular ou desestimular o consumo, de acordo com a inflação. Com o aumento da Selic, sobem os juros, e os empréstimos ficam mais caros.

Assim, o poder de compra das pessoas é afetado e a tendência é os gastos serem contidos, o que é um método para controle da inflação, ou seja, dos preços dos principais produtos e serviços consumidos pela população. Essa é a conduta que vem sendo adotada no cenário econômico brasileiro atual, que passa por um ritmo de alta na Selic considerado o mais intenso em 18 anos. 

Por outro lado, quando os juros básicos diminuem, os financiamentos ficam mais baratos como forma de incentivar o consumo.

O panorama do país no momento, impactado por exemplo pelas consequências da pandemia, engloba a taxa Selic em 7,75%, ciclo de alta nos juros e inflação fora de controle. Com isso, fica mais difícil conseguir crédito e os riscos de inadimplência aumentam, o que justifica os dados divulgados pela Serasa. Já o aumento da demanda por crédito com juros em alta pode gerar acúmulo de dívidas.

Texto: Beatriz Lauerti
Edição: Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins/ Mover

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