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Atualizado há cerca de 1 ano

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Nesta terça-feira, 15, e quarta-feira, 16, o Comitê de Política Monetária, Copom, se reúne para decidir a meta da taxa básica de juros, a Selic. Mas o que é essa taxa e como ela afeta a vida dos brasileiros? Confira.

O que é Selic

Selic significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia do Banco Central e é onde são registradas e liquidadas as operações de compras e vendas de títulos do Tesouro Nacional no mercado por bancos, fundos e investidores. A taxa média dos negócios de um dia com os títulos públicos é denominada taxa Selic, também conhecida como taxa básica de juros da economia. É a partir desse sistema que o Banco Central controla a quantidade de dinheiro no mercado, comprando e vendendo títulos e assim equilibrando a taxa de juros de acordo com seus objetivos.

A partir da taxa Selic são calculadas outras taxas de juros, como de empréstimos e financiamentos. Ela influencia, então, nos preços dos produtos, no consumo, na circulação de moeda e no mercado de investimentos. Com isso, o Banco Central pode usar a taxa Selic como instrumento para controlar a inflação, que pode destruir o poder de compra da moeda brasileira e da população.

Por isso, a meta da inflação é um dos pilares da política econômica brasileira, junto com o câmbio flutuante e com o superávit primário, que garante que o governo gaste menos do que arrecada. Portanto, a meta da inflação ajuda a manter a garantia do real, nossa moeda.

Em 2020, a meta da inflação é de 4% ao ano, podendo haver diferença de 1,5% para mais ou para menos. Para atingi-la, o Banco Central dispõe de três instrumentos da política monetária: a reserva bancária, que provém de depósitos dos bancos; a compra e venda de títulos públicos, mecanismo para reter ou colocar mais dinheiro em circulação; e as taxa de juros, que podem influenciar no consumo e, consequentemente, na inflação.

Com a procura de produtos maior do que o mercado pode oferecer, naturalmente, o preço sobe. Assim como cai o preço quando há pouca demanda e muito produto no mercado. Para controlar esta situação inflacionária, no caso dos preços altos, ou deflacionária, quando o mercado está desaquecido, a taxa de juros pode ser alterada.

Como funciona a taxa Selic

Para entender sobre como funciona a taxa Selic, é importante compreender a relação entre o governo, o Banco Central e o mercado. Vamos do início, então.

Para cumprir com suas obrigações, um governo precisa de recursos. O principal meio para captar estes recursos é o recolhimento de impostos. Outra forma é por meio da emissão de títulos do Tesouro Nacional.

A maior parte dos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional é comprada por grandes bancos e fundos de investimentos, seguradoras e fundos de pensão, que aplicam os recursos de seus clientes ou investidores nesses papéis. Já os bancos precisam também manter parte dos depósitos no Banco Central, uma medida para evitar o excesso de recursos no mercado. Esse depósito pode ser feito em dinheiro ou em títulos federais.

Por conta das operações financeiras realizadas todos os dias, resgates ou pagamentos, é comum que algumas dessas instituições encerrem o expediente com o saldo positivo, enquanto outros encerram com o saldo negativo. E as instituições com saldo negativo precisam tomar dinheiro das que estão com recursos sobrando. Esses empréstimos costumam ter um prazo bem curto, em torno de 24 horas. Para garantir o pagamento ao banco que lhe emprestou dinheiro, o banco com saldo negativo oferece os títulos públicos, com o compromisso de devolver o dinheiro no dia seguinte. Essa taxa de um dia forma a Selic.

Se o BC notar que há muita gente sem recursos no mercado e que os juros estão subindo muito, ele atuará comprando títulos e injetando dinheiro na economia, reduzindo os juros para perto da meta da taxa Selic. Se houver sobra de dinheiro, o BC venderá títulos de sua carteira, enxugando o mercado e fazendo o juro voltar para perto da meta da Selic.

É importante destacar essas operações, para que fique mais fácil compreender as diferenças entre a Selic Meta, que é definida pelo Copom, e a Selic Over.

Qual a diferença entre Selic Over e Selic Meta

 

Selic Over

A Selic Over é obtida por meio da média ponderada dos juros pagos nas operações de empréstimo entre instituições financeiras que possuem títulos públicos como garantia da operação. Esse tipo de Selic é calculada e divulgada diariamente.

Selic Meta

A Selic Meta, no entanto, é aquela definida pelo Copom durante sua reunião, além de ser a mais falada nos noticiários. Também é chamada de taxa básica da economia. Isso porque ela serve como parâmetro para as outras taxas do mercado e do próprio BC quando ele atua para equilibrar os juros. A diferença é pequena. Por exemplo, de 18 de julho a 5 de agosto, a meta da Selic foi de 2,25% e a taxa efetiva do mercado foi de 2,15% ao ano.

Sendo assim, todas as vezes que a palavra Selic aparecer neste texto, estaremos nos referindo à Selic Meta.

Qual é a taxa Selic hoje?

Com um histórico de quedas, a taxa Selic atual, de 2,0% ao ano, é a menor desde 1997. A taxa sofreu nove quedas consecutivas e, desde julho de 2015, não aumenta.

Diminuir a meta da taxa Selic é um estímulo para a economia brasileira. Com os juros baixos, os rendimentos das aplicações diminuem e a vontade de poupar se reduz. As taxas dos bancos também caem, o que torna os empréstimos e financiamentos de bens mais atrativos. Com mais dinheiro em circulação, o consumo aumenta e aquece o mercado. Essa demanda maior aumenta a atividade nas empresas e com ela o emprego e a renda. O risco é um aumento exagerado do consumo, que pode levar a desabastecimento e alta nos preços, o que faz aumentar a inflação.

Durante a crise da pandemia do Covid-19, o Brasil e outros países optaram por manter a política de estímulo que já estava sendo empregada, baixando mais os juros. Em alguns países, o juro chegou a zero ou até ficar negativo, caso da Europa, em que o Banco Central Europeu cobra uma taxa para receber recursos dos bancos, como forma de estimular as instituições a emprestar o dinheiro.

Quem define a taxa Selic

A meta da taxa Selic é definida e anunciada pelo Comitê de Política Monetária, o Copom, que é um órgão do Banco Central. Essa definição é feita pelo presidente do BC e alguns de seus diretores em reuniões que acontecem a cada 45 dias e duram dois dias.

O Copom se baseia em diversos indicadores financeiros do país até definir o futuro da taxa Selic. Ao final da reunião, o Comitê pode definir pelo aumento, diminuição ou estabilidade da Selic. Tudo para adequá-la ao cenário econômico e garantir que o dinheiro possa continuar circulando sem risco para a meta de inflação e para a confiança na moeda.

Como a taxa Selic afeta seus investimentos

Além das suas funções no controle da inflação e na influência das taxas de juros das operações financeiras, a Selic também tem impacto na taxa de remuneração de diversos investimentos. Sendo assim, as alterações na Selic impactam diretamente a rentabilidade de alguns produtos financeiros. Entenda cada um deles.

Caderneta de Poupança

O rendimento da poupança está diretamente ligado às mudanças na Selic. Funciona assim:

  • Se a Selic ficar acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% sobre o valor depositado + Taxa Referencial (TR).
  • Se a Selic ficar abaixo ou igual a 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da Selic + Taxa Referencial (TR).

Isso significa que se a taxa Selic estiver baixa, como é o caso no momento, o rendimento da poupança cai.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic, ou Letra Financeira do Tesouro,  é um título público que possui a rentabilidade atrelada à Selic. Por isso, quando a Selic está baixa, o rendimento desse título cai. Assim como, quando a taxa está alta, o Tesouro Selic apresenta bons rendimentos.

Investimentos em Renda Fixa

Boa parte dos investimentos em renda fixa têm sua rentabilidade atrelada ao CDI, Certificado de Depósito Interbancário, que, por sua vez, é impactado diretamente pela Selic. Sendo assim, investimentos como CDBs, LCIs, LCAs e LCs, que possuem rentabilidade atrelada ao CDI, sofrem com a baixa da taxa Selic.

Qual a relação da Selic com o IPCA?

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, é a variação do preço dos principais consumos das famílias brasileiras que ganham entre 1 e 40 salários mínimos. Este índice é usado pelo Banco Central como referência das metas de inflação. Assim, é ele que o BC olha quando tem de definir a Selic.

Se o IPCA aponta alta no conjunto de preços de produtos e serviços, pode acarretar no aumento da inflação, diminuindo o poder de compra dos brasileiros. Ou seja, você não consegue comprar os mesmos produtos com a mesma quantia de dinheiro de antes. Neste caso, o BC pode agir aumentando a Selic e diminuindo o consumo. Já na situação contrária, como a da crise da Covid, o consumo é tão baixo que os preços recuam, o que permite ao Copom reduzir os juros para estimular a economia. A taxa Selic, portanto, pode afetar todos os brasileiros.

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