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Atualizado há 11 meses

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São Paulo, 25 de novembro – Os americanos se preparam para a celebração do Dia de Ação de Graças nesta quinta-feira com pouco ânimo para comemorar. O desemprego é o mais alto em quase 70 anos, os políticos não se entendem para aprovar um novo pacote de ajuda, e o ressurgimento do coronavírus, que já matou quase 260 mil pessoas no país, leva várias cidades a decretar novas medidas de distanciamento social.

Até o tradicional jantar com peru, justificativa para reunir os familiares espalhados pelo país, está ameaçado, já que os órgãos oficiais recomendaram aos americanos suspenderem as viagens. A eleição presidencial de 3 de novembro deixou o país polarizado, com o presidente Donald Trump aceitando iniciar a transição do governo para o democrata Joe Biden apenas nesta semana, mesmo sem reconhecer a derrota. Restam para dar graças os avanços surpreendentes das vacinas contra o coronavírus e a perspectiva de mais estímulos econômicos no pós-pandemia.

A penúltima semana de novembro deixa autoridades de saúde e governantes americanos sob alerta com as confraternizações do feriado. Na última quinta-feira, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças emitiu uma nota em que alerta sobre a disparada de casos de Covid-19 no país. Até a famosa Black Friday, no dia seguinte, deve substituir as cenas clássicas de multidões invadindo lojas por congestionamentos digitais este ano, com dúvidas sobre o desempenho das vendas diante do receio com a segunda onda da pandemia.

Medidas de restrição podem ser intensificadas com inverno severo

Economistas do JPMorgan alertaram na semana passada que o inverno será “severo” e disseram que as restrições de mobilidade vão arrastar a economia, resultando em uma contração econômica no primeiro trimestre. 

De fato, as medidas de restrição tomadas pelos governos estaduais e municipais na última semana devem se intensificar, na tentativa de conter os deslocamentos, o que deve elevar a preocupação quanto à retomada da economia, e a volatilidade dos mercados. 

A Prefeitura de Nova Iorque anunciou a suspensão das aulas presenciais nas escolas da cidade, sem previsão de retorno. O estado da California impôs um toque de recolher entre 22h00 e 05h00 que entrou em vigor em 21 de novembro. Segundo o governador Gavin Newsom, o avanço nos casos está em um ritmo maior do que o visto em março.

Alta taxa de desemprego e impasse para pacote de ajuda

Enquanto o total de casos americanos se aproxima dos 12 milhões, com recordes diários consecutivos, os números de pedidos de seguro-desemprego semanais voltaram a subir. Entre 9 e 14 de novembro atingiram 742 mil, acima dos 711 mil da semana anterior. Em outubro, os Estados Unidos somavam 11,1 milhões de desempregados, mais que o dobro dos níveis pré-pandemia. O número pode crescer se as novas restrições perdurarem além do esperado.

O país também sofre pelas disputas eleitorais e as negociações infinitas por novos estímulos. O tão aguardado pacote de ajuda fiscal segue enfrentando resistências, personificadas no presidente do Senado, o republicano Mitch McConnell, que defende US$500 bilhões de ajuda, e a líder da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, que quer US$2,2 trilhões. A discussão ficou ainda mais relevante após o Tesouro avisar que não vai prorrogar os programas de crédito de emergência que terminam em dezembro.

Esperanças para o mercado e a economia americana

As boas notícias vêm das vacinas, com a da Pfizer podendo ser aprovada pela FDA, órgão regulador americano, até 12 de dezembro, e as da AstraZeneca, Moderna, Johnson & Johnson e Sinovac concluindo a terceira e última fase de testes nas próximas semanas. Mesmo assim, a distribuição das vacinas será um desafio. 

Outra esperança do mercado, o governo de Biden, que promete dar mais apoio para a economia, começa apenas em 20 de janeiro. O novo presidente terá de negociar com um Senado de oposição, a menos que consiga eleger dois senadores democratas na Geórgia em 5 de janeiro.

Como consolo, a inflação pelo menos segue baixa e o custo médio de um jantar de Ação de Graças caiu 4% este ano, situando-se no menor patamar em dez anos, de acordo com a AFBA, uma associação de fazendeiros e agricultores americanos. 

Os custos mais baixos se devem, em parte, ao fato de que os varejistas estão definindo o preço dos perus como “líderes de perdas” para atrair os consumidores. Essa é uma tática pela qual uma loja pode vender um produto a um preço abaixo do custo, como isca para incentivar os consumidores a visitar a loja e, uma vez lá, comprar mais do que apenas um item. É hora, portanto, de dar mais graças pelo ano que virá.

Texto: Angelo Pavini e Kariny Leal
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins/TC

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