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Ata do banco central dos EUA indica aceleração de aperto monetário

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Ata do banco central dos EUA indica aceleração de aperto monetário

Os dirigentes do banco central demonstraram maior preocupação com a persistência da inflação em patamares elevados nos EUA

Ata do banco central dos EUA indica aceleração de aperto monetário
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Atualizado há 4 meses

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São Paulo, 5 de janeiro – Os membros do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve começaram a discutir em sua reunião de 14 e 15 de dezembro do ano passado a aceleração da alta dos juros e a redução do balanço do banco central americano, conforme ata divulgada hoje, indicando um aperto das condições de liquidez inesperado pelos mercados e provocando queda das bolsas, além da disparada dos rendimentos dos títulos nos EUA.

Segundo a ata, os dirigentes do Fed demonstraram maior preocupação com a persistência da inflação americana em patamares elevados e com seu efeito sobre as expectativas, passando a apoiar uma aceleração no fim do programa de recompras de títulos e o início do aumento dos juros mais cedo neste ano, já em março.

Além disso, começaram a discutir o processo de redução do balanço, ou seja, da carteira de títulos adquiridos pelo Fed do mercado nos últimos anos, o que significaria que o banco central americano passará a vender esses papéis, enxugando a liquidez do sistema e ajudando a combater a inflação. O processo complementaria a normalização da política monetária americana.

Retirada de estímulos

A redução do balanço do banco central dos EUA poderia ocorrer junto com a primeira alta dos juros americanos, já em março, defenderam alguns dirigentes do comitê. Seria um complemento ao “tapering”, anunciado em novembro de 2021 e ampliado em dezembro, que prevê a redução gradual das recompras feitas pelo Fed para injetar recursos na economia. Assim, além de reduzir a injeção de recursos, o banco central americano deverá começar a retirar liquidez dos mercados vendendo os títulos que tem em carteira.

Na reunião de dezembro, os dirigentes do Fed decidiram elevar o corte no valor mensal de recompras de títulos públicos e de papéis imobiliários, de US$15 bilhões para US$30 bilhões, o que fará o tapering terminar em março, e não mais em junho, como previsto na reunião anterior de novembro.

O fim das recompras abre espaço para o Federal Reserve iniciar ainda no primeiro semestre o aumento da taxa básica de juros, hoje entre zero e 0,25% ao ano.

Inflação americana

A discussão sobre a normalização mais acelerada da política monetária americana ocorre em meio à piora da inflação. Em novembro, o Índice de Preços ao Consumidor nos EUA registrou uma inflação de 6,8%, superando a expectativa do mercado e atingindo o maior patamar desde junho de 1982, bem acima da meta de juros do banco central americano, de 2,0% ao ano.

Ainda segundo a ata, a maioria dos integrantes do Fed elevou suas projeções para a inflação deste ano e, alguns, também para 2023. Eles alertam para o impacto que a persistência da inflação em níveis elevados pode ter sobre as perspectivas de longo prazo para os preços. Diante da persistência da alta dos preços, provocada por gargalos nas cadeias de produção e no mercado de trabalho, o FOMC decidiu deixar de se referir à inflação como “transitória”.

Texto: Angelo Pavini
Edição: Gabriela Guedes e Letícia Matsuura
Imagem: Mover

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