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angelo-pavini

Atualizado há 5 meses

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São Paulo, 18 de agosto  – A ata do FOMC, Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve, referente à última reunião acontecida em julho mostrou que o banco central americano iniciou a discussão acerca da redução das recompras de títulos, que injetam US$120 bilhões todo mês na economia. Muitos defendem que essa redução, ou “tapering”, comece já neste ano.

Segundo a ata, a maioria dos integrantes do FOMC reconhecia em julho uma continuidade da melhora da economia americana graças à vacinação. Também é citada a reabertura das atividades, que deve se manter no segundo semestre.  O grupo acha que as condições contribuem para começar a retirar os estímulos via recompras de títulos serão atingidas no fim deste ano. Essas condições seriam a recuperação do mercado de trabalho, que ainda não está completa, admite o FOMC, e a inflação de 2,0% ao ano, esta já superada.

Em ata do FOMC, dirigentes reconhecem riscos para recuperação econômica

Os integrantes do FOMC reconhecem, porém, riscos para essa recuperação. Em especial, aparece a retomada da pandemia de coronavírus com a variante Delta e gargalos nas cadeias de produção que atrapalham a retomada. Esses riscos provocam divisões sobre a retirada dos estímulos entre os dirigentes do FOMC. Mas muitos participantes defenderam começar logo a discussão sobre quando e como iniciar a redução das recompras de títulos do mercado.

Alguns lembraram na ata do FOMC que seria prudente o banco central americano começar a se preparar para o “tapering” mais cedo. A justificativa é o risco da alta recente da inflação se tornar mais persistente. Além disso, começar antes a reduzir as recompras deixaria espaço para o Federal Reserve elevar os juros mais cedo, caso as expectativas de inflação acelerem, por exemplo.

O argumento pela antecipação da redução nas recompras é que os estímulos para a economia continuariam sendo dados pelos juros perto de zero. Segundo eles, uma política muito acomodativa do Federal Reserve poderia elevar os riscos do sistema financeiro.

Quais os riscos de antecipar o taparing?

Outros dirigentes sugeriram que as preparações para a redução deveriam levar em conta que o processo poderia demorar para entrar em prática. Afinal, há risco de aumento dos casos da variante Delta atrasar o retorno da população ao trabalho, a reabertura das escolas e a volta da atividade.

Além disso, lembraram que ainda há preocupações com pressões de baixa da inflação no médio prazo diante das incertezas com a retomada da economia pela falta de mão de obra e gargalos nas cadeias de produção. Esses participantes reforçaram na ata do FOMC que a autarquia deveria ser paciente em comprovar os progressos da economia antes de anunciar o programa de recompra.

Outra preocupação dos participantes foi com a reação ao anúncio da redução das recompras. Ela poderia ser vista como um sinal de aproximação de um movimento de alta das taxas de juros. Parte dos integrantes reforçou que a definição do momento para o ‘tapering’ não tem a ver com a política monetária. Outros lembraram que será difícil para o público distinguir uma política das demais e que uma decisão sobre as recompras influenciaria o entendimento do público sobre suas demais intenções, incluindo os juros.

Ata do FOMC mostra decisão sobre “tapering” ainda longe

A ata do FOMC mostra, portanto, que o Federal Reserve ainda está longe de uma decisão sobre quando e como a redução das recompras deve acontecer. Apesar disso, indica que o “tapering” está cada vez mais próximo. Serão necessárias mais discussões para se chegar à uma decisão.

A pesquisa com gestores globais do Bank of America indicou que 33% desses administradores de recursos esperam um anúncio sobre o “tapering” na decisão do FOMC de setembro. Outros 28% apostam que seja no simpósio de Jackson Hole, que reunirá representantes de vários bancos centrais do mundo que enfrentam o mesmo dilema.

Texto: Angelo Pavini
Edição: Felipe Corleta e Letícia Matsuura
Arte: Mover


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