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Banco central dos EUA deve focar mais em inflação do que em emprego, diz Powell

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Banco central dos EUA deve focar mais em inflação do que em emprego, diz Powell

Caso necessário, os juros poderão subir mais, como uma forma de conter os preços, alertou o presidente do banco central dos EUA

Banco central dos EUA deve focar mais em inflação do que em emprego, diz Powell
tcuser

Atualizado há 4 meses

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São Paulo/Brasília, 11 de janeiro – O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou nesta terça-feira, em sabatina no Senado americano, que o banco central dos EUA deve focar, um pouco mais, na inflação e na estabilidade de preços do que na meta de pleno emprego, dadas as circunstâncias atuais.

Segundo Powell, a divisão de atenção aos dois objetivos principais do Fed, inflação e emprego, devem ser balanceados de acordo com as condições de mercado. Atualmente, a inflação elevada deve ser controlada, a fim de que não haja desancoragem dos preços nas expectativas de juros.

Em sua fala ao Senado, o presidente do Fed também reconheceu que, caso necessário, os juros poderão subir mais, como uma forma de conter os preços, caso a inflação permaneça elevada. “Utilizaremos nossas ferramentas para controlar a inflação.”

Apesar disso, na sequência dos comentários, ele reconheceu que os EUA provavelmente devem permanecer em uma “era de taxas de juros de baixas”. Após a fala, os índices da bolsa americana ganharam fôlego.

Balanço patrimonial do banco central dos EUA

Ao ser questionado sobre o balanço patrimonial do banco central dos EUA, que se aproxima de US$9,0 trilhões, Powell afirmou que ele encontra-se “bem acima de onde precisa estar”. Disse, no entanto, que a autoridade monetária ainda não tomou nenhuma decisão sobre sua redução, apesar de ter adiantado que o tema deve ser debatido ao fim do mês pelo Comitê de Mercado Aberto, o FOMC.

“Nós vamos precisar entre duas e quatro reuniões de política monetária para trabalhar em cima da decisão do balanço patrimonial”, explicou aos congressistas, embora tenha ressaltado que o processo de redução, no atual momento, será “mais cedo e mais rápido” em comparação ao presenciado no último ciclo de aperto monetário.

Powell disse também que a inflação mundial é resultado de problemas de oferta e da recuperação vigorosa da demanda, mas explicou que o Fed apenas consegue impactar a demanda. Ele afirmou que o programa estimulativo de compra de títulos será encerrado em março, e que o aumento de juros ocorrerá “ao longo deste ano”.

A redução do balanço do Federal Reserve, que representa o oposto do programa de estímulos a ser encerrado, ou a adoção pelo banco central dos EUA de uma postura vendedora de títulos, poderá ocorrer “mais para o fim do ano”. Quando perguntado sobre os rumos da política monetária, Powell disse que “o Fed está tentando chegar a um nível próximo à neutralidade, mas que a política poderá vir a ser ‘apertada’ se necessário”.

Economia americana

O presidente do Federal Reserve também disse que vê a economia americana pronta para lidar com a variante ômicron e eventuais novos surtos de covid-19. Mencionado a nova cepa, Powell alertou para a possibilidade dela afetar as cadeias de suprimentos.

Apesar disso, em sua visão, eventuais pausas no crescimento econômico e nas contratações, por exemplo, que decorrerem do aumento do número de infectados da pandemia, devem ser breves.

Ao discorrer sobre o quadro fiscal norte-americano, Powell distanciou a atuação do Fed, no campo monetário, mas foi bastante enfático ao ressaltar que a trajetória da dívida dos EUA é insustentável e precisa ser endereçada.

Em outro ponto, questionado sobre as criptomoedas, Powell afirmou que um relatório completo do Fed sobre o tema está pronto e será publicado nas próximas semanas. Esse relatório, no entanto, trará a luz muitas dúvidas do banco central americano e poucas medidas concretas de regulação deste mercado, por exemplo.

Reação dos mercados

Por volta das 15h, pelo horário de Brasília, os rendimentos do Tesouro americano de dez anos perdiam força, enquanto os mercados acionários ganharam fôlego. O S&P500 reverteu a trajetória de queda observada mais cedo, operando em alta de 0,51%, Petróleo e bitcoin também avançaram.

Na outra ponta, o índice Dólar DXY, que mensura o desempenho da moeda americana contra uma cesta de divisas, recuava 0,28%.

Texto: Felipe Corleta e Gabriel Ponte
Edição: Allan Ravagnani e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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