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Atualizado há 7 meses

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São Paulo, 9 de março – Quem vive de recomendar ativos financeiros parece estar otimista com o mercado acionário americano, apesar do nervosismo em relação às avaliações esticadíssimas e os juros da dívida pública em alta.


Rotação de dívida para ações nos EUA está apenas começando, indicam especialistas

Nesta semana, figurões das finanças como a estrategista Abby Joseph-Cohen, do Goldman Sachs, e Cathie Wood, da Ark Investment, pregam aos quatro ventos que a rotação de dívida para ações, mesmo em um cenário de custos de empréstimos maiores, está apenas começando.

O fenômeno, um movimento de saída do investidor das ações de crescimento em direção às de maior apreciação, ou de valor, ganha tração à medida que a vacinação em massa contra o coronavírus permite o desmonte das restrições à mobilidade e aponta para uma reabertura mais rápida das economias e um repique na inflação.

Geralmente, as ações de “growth”, ou de crescimento, são negociadas com múltiplos de preço e lucro muito elevados. Isto justamente porque o mercado projeta um crescimento de receitas acentuado.

Já as empresas de “value”, ou de valor, são negociadas a menos vezes o seu lucro anual do que as de crescimento e apresentam fluxos de caixa mais constantes. Por exemplo, a Zoom, aquela empresa conhecida por popularizar as chamadas de teleconferência durante a pandemia do coronavírus, é uma empresa de crescimento; a montadora Ford ou a empresa de oleodutos Kinder Morgan são companhias de valor.

Alta dos Treasuries yields impacta severamente ações de crescimento

A teoria das finanças mostra que, para avaliar o valor justo de uma empresa, projeta-se fluxos de caixa futuros com base no histórico e na expectativa de crescimento das receitas e margens da empresa. Essas entradas de caixa são trazidas a valor presente, sujeitas a uma taxa de desconto, que reflete o valor do dinheiro no tempo e uma matriz de riscos macro e microeconômicos – acrescidos de uma taxa livre de risco. O Treasury Yield de dez anos representa uma medida próxima da taxa livre de risco para as empresas americanas.

Em resumo, a alta nos yields dos Treasuries impacta de forma mais severa as ações das empresas de crescimento. O mercado reage a isso com um movimento de saída daquilo que se distancia de forma mais acelerada dos preços justos calculados, e entrada nas ações mais defensivas, que vinham sofrendo mais com a crise econômica. Lembremos que o mercado está alerta para os dados de inflação e de retomada do mercado de trabalho.

Veja no gráfico abaixo o desempenho do índice Russell 1000 Growth, em azul, que representa as mil maiores empresas de crescimento nos Estados Unidos. O desempenho do Russell 1000 Value, em verde, é composto pela mesma quantidade de ações de valor no mercado americano. A linha amarela apresenta o quociente entre as duas anteriores, com o Russell 1000 Growth no numerador. Desde o começo de fevereiro, a queda da razão crescimento/valor se acentua. Para Joseph-Cohen, isso se deve porque as famílias americanas vão comprar mais ações de valor, quiçá impulsionadas pelos yields mais altos. Os especuladores devem aumentar suas vendas a descoberto nos papéis de tecnologia e varejo eletrônico, disse hoje o JPMorgan.

rotação de carteiras

Arte: TC Mover



Investidores querem se posicionar para retomada de papéis de empresas de valor

Enquanto ao longo da pandemia, esses últimos setores foram vistos como porto-seguro, hoje o investidor quer se posicionar para uma retomada dos papéis de empresas de valor, beneficiadas pelo ciclo de retomada econômica. Por essa análise, pode-se afirmar que uma rotação de carteiras com saída dos papéis de crescimento e entrada em papéis de valor, representa busca por empresas mais sólidas e previsíveis. Empresas de crescimento tem o seu fluxo de caixa crescente e muito concentrado no futuro distante.

Quando a taxa a que se desconta esses fluxos aumenta, como está acontecendo atualmente com a alta nos Treasury yields americanos, o impacto é muito mais suave nas empresas que tem receita estabelecida e seus fluxos de caixa concentrados no presente e no futuro próximo. As ações e os yields estiveram positivamente correlacionados em fevereiro, e quando isso aconteceu no passado, os preços das ações subiram em média 6,00% seis meses depois, disse o estrategista-global de ações do Credit Suisse, Andrew Garthwaite, em relatório divulgado nesta semana.

Texto: Felipe von Eye Corleta
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Arte: TC Mover


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