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Atualizado há 6 meses

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São Paulo, 16 de junho – O Federal Reserve, banco central americano, passou a projetar duas subidas na taxa de juros básicos, a taxa Fed Funds, em 2023. Ele espera, também, uma inflação mais alta neste ano, despertando preocupação nos mercados, derrubando os índices de ações e puxando os rendimentos da dívida dos EUA.

 

Número de diretores do Federal Reserve que esperam alta dos juros em 2022 e 2023 aumentou

Apesar de o banco central americano manter a política estimulativa, a pesquisa de perspectivas para a economia dos diretores da autarquia, os Dot Plots, mostrou um aumento na projeção de crescimento e da inflação. Ela trouxe, ainda, uma previsão de subida dos juros a partir de 2023 que não havia no levantamento de março.

O Federal Reserve manteve os juros no intervalo de 0,00% a 0,25% e as recompras de títulos intactas em decisão divulgada nesta quarta-feira, 16. Agora, a projeção média é de que os juros americanos, hoje perto de zero, subam para 0,60% em 2023, com duas altas.

Além disso, o número de diretores que acreditam em uma alta dos juros já no ano que vem subiu de quatro para sete. Dois esperam juros de 0,75% já em 2022. O número dos que acreditam em alta em 2023 passou de sete para 13.

 

Previsões mostram que banco central americano aposta em transitoriedade da inflação

Os Dot Plots mostram também que a projeção média do Federal Reserve para o crescimento do Produto Interno Bruto, PIB, deste ano subiu de 6,50% para 7%. Ela se manteve em 3,30% para o ano que vem e aumentou de 2,20% para 2,40% em 2023.

A inflação deste ano teve ajuste maior, de 2,40% em março para 3,40%, permanecendo perto da meta nos dois anos seguintes. Para 2022, a projeção passou de 2% para 2,10% e, para 2023, de 2,10% para 2,20%.

O núcleo da inflação, que exclui itens mais voláteis, subiu para este ano, de 2,20% para 3%. Ele permaneceu praticamente estável e bem perto da meta de 2,0% nos anos seguintes. A previsão mostra a aposta do Federal Reserve na transitoriedade da alta dos preços.

 

Progresso na vacinação foi destaque em comunicado do Federal Reserve

Em seu comunicado, a autarquia destacou o progresso na vacinação reduzindo a pandemia de coronavírus nos EUA e a melhora nos indicadores de atividade e mercado de trabalho. Os setores mais atingidos pela pandemia continuam enfraquecidos, disse o banco central americano, mas mostram melhora.

Já a inflação tem subido, segundo o Federal Reserve, principalmente refletindo fatores transitórios. A afirmação tranquiliza os mercados diante da alta dos índices de preços ao consumidor e ao produtor.

Mas o banco central americano manteve a observação de que a retomada da economia vai depender significativamente da trajetória do vírus e, apesar de a vacinação continuar a reduzir seus efeitos, os riscos para a economia continuam, o que indica manutenção dos estímulos.

 

Autarquia acredita que inflação ficará moderadamente acima da meta por algum tempo

Além disso, o Federal Reserve manteve a expectativa de que a inflação deverá ficar moderadamente acima da meta de 2% por algum tempo. Ele manteve a necessidade de continuar com o programa de recompra de títulos, de US$80 bilhões em papéis públicos e US$40 bilhões lastreados em hipotecas, até as metas de emprego e inflação serem atingidas.

“O Fed veio um pouco mais hawkish [duro] do que o esperado devido às duas altas de juros esperadas, que são a grande novidade do comunicado”, disse José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos.

 

Fala suave de Jerome Powell reduziu perdas dos ativos no globo

Já na coletiva de imprensa logo após a reunião, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, admitiu que a inflação pode ser mais persistente do que o esperado. Antes, ele batia na tecla de que a alta de preços era transitória.

A afirmação preocupou o mercado, mas ele adotou uma postura suave no resto da fala, o que acabou por reduzir as perdas dos ativos globais. Ele destacou que os Dot Plots não são um bom indicador de movimentos futuros da autoridade, e que qualquer mudança na política de estímulos será informada com antecedência.

 

Bolsas dos EUA e do Brasil refletiram previsões do Federal Reserve

O Ibovespa cedeu 0,64% nesta quarta-feira, 16, aos 129,2 mil pontos. Por volta das 17h10, o dólar futuro, que tocou a mínima em R$5,001, negociava em R$5,067, alta de 0,34%. Já os juros futuros, DIs, zeraram as perdas e subiam em até 6 pontos-base.

Nos EUA, o S&P500, o Dow Jones e o Nasdaq registraram quedas de 0,54%, 0,77% e 0,24%, respectivamente. O yield dos Treasuries de dez anos, com preocupações com a inflação e alta dos juros pelo Federal Reserve, subia 7,6 pontos-base por volta das 17h10, para 1,577%.

Texto: Angelo Pavini e Bárbara Leite
Edição: Guillermo Parra-Bernal, Letícia Matsuura e João Pedro Malar
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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