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Temores sobre setor imobiliário na China podem impactar PIB, diz professor

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Temores sobre setor imobiliário na China podem impactar PIB, diz professor

O professor da New York University Shanghai Rodrigo Zeidan mostrou receio de menor oferta e demanda no setor imobiliário na China

Temores sobre setor imobiliário na China podem impactar PIB, diz professor
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Atualizado há 4 meses

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São Paulo, 28 de janeiro – A crise da Evergrande, segundo maior grupo imobiliário da China, pode influenciar na decisão da população do país de investir no setor e impactar o Produto Interno Bruto, avaliou Rodrigo Zeidan, economista e professor da New York University Shanghai, em entrevista à TC Rádio nesta manhã.

“Meu receio é o que está acontecendo com as pessoas em cidades com 3 ou 4 milhões de pessoas. Essas pessoas estão mudando a decisão de comprar imóvel por causa da crise? Meu medo é de que a crise econômica passe pelas decisões da família em investimento imobiliário, gerando menor demanda e menor oferta. Precisamos ter em mente que o fundo imobiliário residencial é quase 10% do PIB”, ressaltou Zeidan, no programa Espresso da Manhã.

Em meio à crise no setor imobiliário, a China, ainda assim, apresentou recuperação econômica na pandemia, na contramão de outras economias. O Produto Interno Bruto do país apresentou um crescimento de 8,1% em 2021, registrando a maior alta em uma década. Para Zeidan, o que realmente interessa é como a economia chinesa vai se posicionar em relação aos níveis pré-pandemia.

“Esse número [do PIB] não importa muito porque temos claramente a recuperação da pandemia. Se você sai da crise da mesma forma que você estava, a economia vai crescer também. A questão é o que esperamos para a frente, de como vai voltar a máquina chinesa comparada ao período pré-pandemia. Porque ainda com esses 8,0%, a economia chinesa está um pouquinho menor do que estaria se não houvesse uma pandemia no meio do caminho”, afirmou o professor.

Apesar da alta do PIB, no último trimestre de 2021 a China perdeu ritmo de crescimento, o que deixou o Estado chinês em alerta para uma possível desaceleração. Segundo Zeidan, caso isso ocorra de fato, o país, possivelmente, vai anunciar pacotes de estímulo à economia.

“O que vai haver, provavelmente, são anúncios de pacote a conta-gotas, se o governo visualizar que a economia não está indo bem. A grande questão é se o governo vai errar a mão. Quando o mundo saiu da crise financeira de 2008, a China adotou uma política fiscal expansionista absurdamente grande e isso não vai acontecer desta vez”, declarou.

Apoio à Rússia

Durante a entrevista, Zeidan comentou o fato de a China demonstrar apoio à Rússia nas tensões geopolíticas na fronteira da Ucrânia, que é apoiada pelos Estados Unidos. Segundo o economista, o cenário é de um risco “gigantesco” para a economia global.

“Não há a menor dúvida de que a China se coloca como adversária dos Estados Unidos e está havendo modificação do discurso. Problemas geopolíticos são ações que para todos os países significam um tiro no pé e a China está disposta a isso até certo ponto”, explicou.

Ele também falou sobre o programa chinês “Prosperidade Comum”, por meio do qual o presidente Xi Jinping pretende evitar aceleração de desigualdades sociais em troca de estabilidade política.

“O grande problema é que se tentar segurar a desigualdade desestimulando incentivos não vai dar certo. O governo chinês tende normalmente a colocar um discurso e depois criar métricas para perseguir. Não sabemos como será o discurso”, disse o professor.

Texto: Cintia Thomaz
Edição: Gabriela Guedes
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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