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Atualizado há mais de 2 anos

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Por: Ana Siedschlag, editora TC News

 

A viagem do presidente Jair Bolsonaro e sua equipe aos Estados Unidos representa uma mudança na condução da política externa brasileira, que deve focar em diversificar os países que fazem comércio com o Brasil para amenizar a situação de economia fechada, disseram analistas e economistas consultados pela TC News.

 

Em 2018, as exportações brasileiras à China representaram mais de um quarto de tudo o que o país manda para fora. Com superávit de US$29,4 bilhões na balança comercial com o gigante asiático, o ano representou uma alta de 35% nas exportações em relação a 2017 – a segunda consecutiva. Já o saldo positivo da balança vem aumentando desde 2014, e somente em janeiro e fevereiro deste ano, já é de US$617 milhões.

 

No entanto, o receio de alguns economistas é que uma potencial desaceleração da economia chinesa, que vem sendo especulada a partir de dados mais fracos da indústria e do consumo no país, possa comprometer o desempenho do comércio exterior brasileiro, que já não é dos mais exponenciais. “Apesar de ser um país grande em termos de PIB, a economia brasileira é fechada”, explica Flavio Serrano, economista sênior do banco Haitong. “Estamos presos na América Latina, muito dependentes do mercado doméstico e reféns da economia chinesa”. O melhor caminho para amenizar essa situação, ele diz, é pulverizar os países que fazem comércio com o Brasil.

 

Em visita aos EUA, o presidente Bolsonaro fechou alguns pequenos acordos que sinalizam nesta direção, ainda que não no ponto onde os investidores mais querem ver. Ele dispensou o visto para turistas americanos, australianos, canadenses e japoneses e abriu a Base de Alcântara, no Maranhão, para o governo americano. Resta saber se hoje, na reunião marcada com o presidente Donald Trump para às 13h25, horário de Brasília, sairá alguma outra negociação mais focada em possíveis parcerias comerciais. Os EUA representam cerca de 12% do destino de todos os produtos exportados por aqui, e, no ano passado, renderam um superávit comercial para o lado brasileiro de US$120 milhões. É bem provável que o presidente Trump questione e tente virar essa conta para o lado americano.

 

Enquanto o governo busca novos parceiros, o mercado não perde a China de vista. Especulações nos maiores jornais do país mostram um racha dentro da administração Bolsonaro entre os que querem abrir o diálogo – ala do ministério da Economia e dos generais mais liberais, com o vice Hamilton Mourão à frente – e os que olham o gigante asiático com receio – o próprio Bolsonaro e seu ministro das Relações Internacionais, Ernesto Araújo. Não se sabe quem sairá vitorioso nessa disputa, mas há um certo consenso no mercado: a relação com o país asiático precisa ser discutida.

 

“O Brasil precisa tomar uma atitude mais proativa, diferentemente do passado, em que a questão ideológica permeava os tratados. Deveria tentar fazer acordos mais críveis, com nomes grandes. A China carece de um acordo melhor”, pontua Jason Vieira, economista da Infinity Asset. Para ele, o tamanho da parceria comercial com o Brasil justifica abrir o diálogo com o país por conta do peso demasiado grande que essas exportações e importações têm. Há alguma especulação de que a próxima visita da comitiva de Bolsonaro ao exterior seja justamente para lá.

 

(Foto: Xi Jinping, Donald Trump e Jair Bolsonaro/WikiCommons)

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