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Apesar de inflação, BC deve aliviar ritmo de altas dos juros

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Apesar de inflação, BC deve aliviar ritmo de altas dos juros

Comitê decisório dos juros no BC deve anunciar uma elevação da taxa Selic em 100 pontos-base, para 11,75%, ainda que a inflação esteja alta

Apesar de inflação, BC deve aliviar ritmo de altas dos juros
gabriel-pontes

Atualizado há 2 meses

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Brasília, 15 de março – O Banco Central do Brasil deve manter, nessa quarta-feira, 16, o plano de reduzir o ritmo de alta da taxa básica de juros, como indicado na reunião anterior, mas deve sinalizar um aperto mais prolongado diante de uma inflação mais disseminada e apesar das incertezas provocadas pela guerra na Ucrânia.

O comitê decisório dos juros no BC, conhecido como Copom, deve anunciar uma elevação da taxa Selic em 100 pontos-base, para 11,75%, na noite de quarta-feira, de acordo com o consenso da Mover colhido com oito instituições financeiras. De todas elas, o banco UBS foi o único que projetou alta maior – de 150 pontos-base – e um comunicado mais severo, ou “hawkish”.

A decisão do Copom sairá apenas poucas horas depois da esperada primeira alta de juros básicos nos Estados Unidos em três anos – o que adiciona alguma incerteza quanto à decisão do BC. O Federal Reserve, banco central americano, deverá promover uma alta de 25 pontos-base na chamada taxa Fed Funds amanhã, em decisão que pode trazer sinais sobre o ritmo de aperto e de redução da liquidez extraordinária carregada pela autarquia ao longo da década passada.

“A mensagem do Copom deverá ser a mesma, ou bem parecida, com a do Fed, com um tom mais ‘hawkish’, no sentido de o juro deverá ser elevado para controlar a inflação”, disse Reinaldo Le Grazie, ex-diretor de política monetária do BC e hoje sócio da Panamby Investimentos, em entrevista à TC Rádio. Le Grazie, que não foi sondado na pesquisa, projeta uma alta de 1,25 ponto na Selic, dada a gravidade do quadro inflacionário.

Mais do que com o aumento nos juros, o investidor deve ficar atento ao tom do comunicado da decisão, que pode incluir nas projeções de inflação o impacto mensurável da guerra entre Rússia e Ucrânia, como as altas nos preços das commodities agrícolas, energéticas e minerais, na inflação. De acordo com alguns dos economistas consultados, o Copom pode sinalizar que levará os juros a um nível ainda mais alto, ou restritivo, adiante, embora sem especificar até onde.

Os derivativos negociados na B3, e que precificam a probabilidade de elevação na Selic, mostram os investidores esperando uma desaceleração no ritmo de altas nos juros. Às vésperas do início da reunião, 77% das opções negociadas projetavam alta de 100 pontos-base, ou um ponto percentual, enquanto 11% apostavam em alta de 1,25 ponto na Selic. Já 8% das opções esperam alta de 1,50 ponto percentual.

Leitura

A leitura desses dados reflete a noção de que o Copom deve optar por diluir as altas na Selic por um período mais longo, tendo em vista a elevada incerteza apresentada. Desde fevereiro, a disparada nos contratos de juros futuros, refletido em elevações nos DIs da cauda curta de até 115 pontos-base, apontam para um cenário incerto na condução da política monetária.

Por isso, sinais de um custo de vida resistente à queda e uma deterioração das perspectivas para os preços ao consumidor, como mostrou a inflação oficial de fevereiro, devem manter um tom severo na comunicação do comitê. Para economistas do BTG Pactual e de outros bancos, a redução do ritmo de alta não implica um alívio na dureza do comunicado.

“Diante do aumento das pressões inflacionárias e o consequente risco de desancoragem das expectativas, o Copom deverá realizar um aperto monetário mais prolongado do que o que esperávamos antes da escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia”, disse o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita, em relatório recente. Ele espera que a Selic finalize o ciclo de altas, que foi iniciado há mais de um ano, quando a taxa estava em 2%, perto dos 13%.

Os riscos fiscais também devem estar presentes, com o Copom reforçando que medidas do governo que atenuem a alta de preços administrados no curto prazo, como os combustíveis, podem afastar a inflação da meta oficial no médio e longo prazos.

Apesar da pressão altista de preços, somada a um choque de oferta agravado pela guerra no Leste Europeu, o Copom estaria pronto para reduzir o ritmo de aperto diante da elevada incerteza geopolítica, além de uma fraca leitura de crescimento do produto interno bruto real no Brasil, disse Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para América Latina, em relatório a clientes.

O economista-chefe do Banco Alfa, Luiz Otávio Souza Leal, disse à Mover que a melhor ação do Copom, no atual momento, seria publicar um comunicado duro, mostrando compromisso com a meta de inflação, de 3,50% para este ano, com tolerância até 5%. “Acho que todos os BCs, nessa primeira rodada de elevação dos juros depois do início da guerra, vão usar a tática de não fazer ‘marola'”.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Gustavo Bonato e Guillermo Parra-Bernal
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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