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Empresas de tecnologia brasileiras voltam ao radar da SulAmérica

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Empresas de tecnologia brasileiras voltam ao radar da SulAmérica

A aposta da SulAmérica se apoia em três variáveis: volatilidade com a guerra na Ucrânia, ciclo de alta de juros e eleições no Brasil

Empresas de tecnologia brasileiras voltam ao radar da SulAmérica
bruna-chieco

Atualizado há cerca de 1 mês

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São Paulo, 13 de abril – A SulAmérica Investimentos voltou a olhar para ações de empresas de crescimento no Brasil, após a guerra na Ucrânia e o combate à inflação no Brasil e no mundo derrubarem as avaliações de muitas delas, principalmente no setor de tecnologia.

A aposta se apoia no seguimento de três variáveis, disse ao Scoop by Mover o vice-presidente de investimentos, vida e previdência, Marcelo Mello. Por um lado, o conflito na Ucrânia, que globalmente gera volatilidade, reduz crescimento e aumenta inflação; pelo outro, o ciclo de alta de juros e a eleição presidencial – ambos no Brasil.

Segundo ele, nos últimos anos os fundos de ações trocaram papéis de tecnologia, cujo apelo é o potencial de lucros no longo prazo, por ações de setores mais maduros. Na virada do ano, a própria SulAmérica saiu de empresas com viés de crescimento acelerado e foi para ações ligadas a commodities, varejo digital e físico e bancos.

O cenário de atividade econômica mais fraca e custo de vida mais alto no mundo inteiro validaram esse movimento, apontou Mello. Porém, após meses de quedas pronunciadas nas ações de tecnologia, os preços destas voltaram para níveis atrativos.

Mesmo sem ter certeza se os juros subirão muito mais no Brasil, ou se a guerra no Leste europeu continuará por mais um tempo, a estratégia sugere que Mello e sua equipe parecem acreditar que o fundo do poço nas cotações desse tipo de papéis está próximo.

“Como as empresas de tecnologia sofreram muito, é difícil não estar mais nelas. Elas negociavam a 40 vezes os lucros, mas os múltiplos baixaram para 20, 22 vezes”, disse Mello, cuja equipe administra R$49,6 bilhões na SulAmérica. “Parece que é o momento de voltar a pensar em ter posições importantes como essas na carteira”.

A título de exemplo, os papéis da Locaweb (LWSA3), uma empresa brasileira que oferece serviço de hospedagem de sites e e-mail, derretem mais de 76% das suas máximas recentes.

As ações do Banco Inter (BIDI11 / BIDI4), um dos principais bancos digitais do Brasil e que já conta com quase 19 milhões de clientes, desabam 80% em nove meses. Uma das maiores provedoras de tecnologia e serviços para o setor financeiro brasileiro, a Sinqia (SQIA3) vê seus papéis ordinários perderem cerca de 38% do seu valor no mesmo período.

Múltiplos são métricas que permitem ao investidor estimar a atratividade absoluta e relativa de uma ação ou um índice.

Na conversa com o Scoop, Mello se recusou a falar de empresas e papéis específicos que ele está atualmente analisando.

‘Hot money’

A aposta da SulAmérica não é incomum entre gestores com visões contrárias às do mercado mais amplo, e se baseia em evidências de que ciclos de altas nos juros tendem a impactar papéis de tecnologia e do segmento de crescimento menos do que normalmente se pensa.

Nos Estados Unidos, as ações de crescimento bateram os índices-referência em três dos quatro ciclos de aumento da taxa básica-alvo de juros desde a década de 1990, de acordo com dados da Refinitiv.

Validando sua tese, Mello acha que a oportunidade vista recentemente em ações ligadas a commodities no Brasil – que atraíram capital estrangeiro fortemente em um movimento de investimento tático – deve se reverter em breve.

Esse movimento do chamado “hot money” permitiu que o fluxo de capital estrangeiro na bolsa brasileira acumule saldo positivo de R$64,8 bilhões no ano até 8 de abril, segundo dados da B3.

Contudo, em 8 de abril, os investidores não-residentes tiraram do mercado à vista, na bolsa, perto de R$1,22 bilhão. Esse foi o maior saldo líquido vendedor do ano para um dia só.

“Essa pujança não é estrutural, é tática, momentânea”, disse Mello. “Grande parte deste capital está entrando para empresas extremamente líquidas. Não vemos investidores comprando empresas de crescimento, o que poderia mostrar uma intenção de investir no longo prazo”, apontou.

Mello também avalia que “não existe segurança, e nem acho que haverá durante o período eleitoral”, do lado da política monetária e da agenda de reformas do governo que faça com que investimentos estrangeiros durem mais tempo no Brasil.

O país elege um novo presidente em outubro. As pesquisas de opinião mais recentes apontam para uma disputa entre o atual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – e que tem a maioria dos investidores apreensivos quanto ao futuro da política econômica.

“O que estamos vendo é que outros países emergentes estão passando por dificuldades e o Brasil passa a ser oportunidade, mas não a longo prazo. E acho que essa visão não vai mudar este ano”, disse.

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Texto: Bruna Chieco
Colaboração: Felipe Corleta
Edição: Guillermo Parra-Bernal
Imagem: Divulgação

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