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Após Selic a 10,75%, o que esperar do Copom em março

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Após Selic a 10,75%, o que esperar do Copom em março

Com o aumento na reunião dessa quarta-feira, o oitavo desde o início do ciclo de ajuste em março passado, a taxa Selic passou para 10,75%

Após Selic a 10,75%, o que esperar do Copom em março
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Atualizado há 4 meses

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São Paulo, 3 de fevereiro – Após elevar a taxa básica de juros em 1,5 ponto percentual, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, Copom, mostrou explicitamente que pretende adotar a estratégia de desaceleração do ritmo de alta da Selic, em um comunicado mais suave, mas que esconde preocupações quanto à política monetária americana, avaliou o economista-chefe da Quantitas Asset, Ivo Chermont.

Com o aumento na reunião dessa quarta-feira, o oitavo desde o início do ciclo de ajuste em março passado, a taxa Selic passou para 10,75%, em linha com a pesquisa feita pela Mover com 16 bancos e casas de análise, representando o maior nível desde maio de 2017.

Em entrevista à TC Rádio, Chermont disse acreditar que a estratégia de reduzir a velocidade dos aumentos da Selic é uma das mais adequadas no momento, pois permite que ajustes sejam realizados no caminho a depender da dinâmica inflacionária.

Ainda segundo ele, a desaceleração não é uma indicação de que o Banco Central está tranquilo em relação à inflação. “Tem mais a ver com estar no fim do ciclo e preferir ir a um passo mais lento, mesmo que sejam necessárias várias dessas passadas”, explicou.

Em seu comunicado, o Copom reviu suas projeções para o IPCA para este ano, de 4,7% para 5,4%, acima do teto da meta de inflação, de 5%. Esse cenário supõe uma trajetória de juros que se eleva para 12% no primeiro semestre de 2022, termina o ano em 11,75% e reduz-se para 8% ao ano em 2023.

Juros americanos

Avaliando o comunicado, o economista da Quantitas disse acreditar que ele minimiza o fator da política monetária americana. “É um elemento que deve estar preocupando eles muito mais do que está escrito”, disse ele.

Para Chermont, uma elevação dos juros americanos em março e sinalização sobre a redução do balanço pelo Federal Reserve, banco central americano, devem aumentar o estresse do mercado e deixar o BC mais temeroso sobre encerrar o ciclo de alta da Selic.

“O cenário pode mudar radicalmente se o banco central americano decidir ser mais agressivo. Esse é o grande elemento de risco”, afirmou.

A questão fiscal também está como um fator de incerteza do BC, e, Chermont avalia que as eleições podem ter um impacto indireto a depender de como serão tratadas as questões das contas públicas neste ano.

“As eleições impactam volatilidade e nível dos ativos, o que afeta, eventualmente, crescimento, inflação, avaliação de risco e o próprio fiscal, já que é natural que as autoridades em busca de reeleição queiram gastar mais”, disse.

Texto: Clara Guimarães
Edição: Maria Luiza Dourado e Stéfanie Rigamonti
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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