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Atualizado há 24 dias

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São Paulo, 3 de novembro – A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, Copom, trouxe uma preocupação maior com a questão fiscal brasileira, apontando que “surgiram, entre as reuniões do comitê, questionamentos relevantes em relação ao futuro do arcabouço fiscal atual, resultando em elevação dos prêmios de risco”. E mostra que o grupo avaliou, inclusive, cenários com ritmos de ajuste maiores do que 1,5 ponto percentual.

“Esses questionamentos também elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica atribuir maior probabilidade para cenários alternativos que considerem taxas neutras de juros mais elevadas”, avalia a ata da reunião realizada entre os dias 26 e 27 de outubro. O Copom ainda afirma que alterações permanentes no arcabouço fiscal e menos esforços políticos por reformas estruturais podem resultar em uma Selic mais elevada.

“Prevaleceu, no entanto, a visão de que trajetórias de aperto da política monetária com passos de 1,5 ponto percentual, considerando taxas terminais diferentes, são consistentes neste momento, com a convergência da inflação para a meta em 2022, mesmo considerando a atual assimetria no balanço de riscos”, acrescenta o documento. O comitê também reforça os números de inflação trazidos no comunicado, acrescentando que vê a inflação de preços administrados em 17,1% em 2021 e 5,2% em 2022.

Exterior

No ambiente externo, o cenário tem se tornado menos favorável, segundo o BC, trazendo pressão inflacionária e fazendo com que os bancos centrais tenham alguma reação. “O próximo ano deve ser caracterizado por menor crescimento, com a reversão dos impulsos fiscais e avanço nos processos de normalização da política monetária. Para as economias emergentes, essa combinação implica um cenário mais desafiador”, explica o documento. O avanço dos preços de commodities energéticas e a desvalorização do real aumentam ainda mais as pressões inflacionárias.

Para 2022, a ata destaca que o crescimento econômico deve ser beneficiado pela continuação da recuperação do mercado de trabalho e do setor de serviços; o desempenho de setores menos ligados ao ciclo de negócios, como agropecuária e indústria extrativa; e os resquícios do processo de normalização da economia, conforme a crise sanitária arrefece.

Texto: Eduardo Puccioni
Edição: Felipe Corleta e Guilherme Dogo
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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