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Ata do Copom: BC usa cenário base de Selic a 13,25%

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Ata do Copom: BC usa cenário base de Selic a 13,25%

Em ata divulgada nesta terça, o Copom sinalizou um aumento de menor magnitude da Selic em junho, sem dizer claramente que será a última

Ata do Copom: BC usa cenário base de Selic a 13,25%
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Atualizado há 9 dias

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São Paulo, 10 de maio – A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, Copom, realizada em 4 de maio, mostra que o cenário base utilizado para a política monetária é a taxa de juros a 13,25%, deixando espaço para um aumento de 50 pontos-base na reunião de junho.

De acordo com o documento, o cenário de referência utilizado pelo Copom é extraído da pesquisa Focus, com a Selic a 13,25% em 2022 e retraindo para 9,25% no ano que vem. Na ata, o Copom sinaliza um aperto de menor magnitude em junho, sem dizer claramente que será a última.

Nesse sentido, a ata mostra que os membros do comitê avaliam que o atual nível de aperto monetário “cria um risco de desaceleração mais forte que o antecipado nos próximos trimestres”.

Apesar disso, diz a ata, a atual política contracionista ainda não foi sentida na economia, com a inflação “surpreendendo negativamente”. Além disso, os membros se mostraram preocupados com o futuro do arcabouço fiscal, o que aumenta o risco de desancoragem das expectativas de inflação.

Para o Copom, o governo perdeu o ímpeto em reformas estruturais e se mostra favorável a alterar o processo de ajuste das contas públicas, o que pode elevar a taxa de juros neutra da economia.

Gustavo Cruz, economista da RB Investimentos, analisa que a ata dá a impressão de que o aperto monetário pode ir além de junho, “se o ciclo der sinais de desancoragem da inflação”, mas anotando a preocupação para uma contração da economia por uma política monetária mais severa.

Inflação global

No âmbito internacional, o Copom se mostrou mais preocupado com as consequências inflacionárias da guerra entre Rússia e Ucrânia e, especialmente, com os fechamentos na China para conter a Covid-19.

Para o comitê, esses dois eventos têm o potencial de “prolongar ainda mais o processo de normalização das cadeias de suprimentos globais”. O Copom destaca que vê um processo de “regionalização” das cadeias de suprimentos a nível global o que cria pressão inflacionária de longo prazo.

Além disso, o Copom debateu as consequências para os países emergentes dos apertos de juros nas economias desenvolvidas, e uma possível desaceleração global da economia por esse ciclo de juros mais altos.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, vê a ata como menos severa do que o comunicado da última quarta-feira. Segundo ele, o Copom deve elevar a taxa de juros em 50 pontos-base e encerrar o ciclo.

Texto: Guilherme Dogo
Edição: Allan Ravagnani
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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