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Ata do Copom reitera alta da Selic de 1 ponto percentual em maio

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Ata do Copom reitera alta da Selic de 1 ponto percentual em maio

Em ata publicada hoje, o Copom disse que a guerra trouxe mais incertezas para a Selic, especialmente devido à alta das commodities

Ata do Copom reitera alta da Selic de 1 ponto percentual em maio
guilherme-maradei-dogo

Atualizado há cerca de 2 meses

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São Paulo, 22 de março – A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, divulgada nesta terça-feira, reiterou uma nova elevação de 1 ponto percentual na taxa básica de juros do Brasil, a Selic, em maio. Mas o Copom avaliou que a grande incerteza com o conflito na Ucrânia, especialmente pela volatilidade no mercado de petróleo, pode fazer com que mais altas de juros sejam contratadas.

Na última reunião, o Copom elevou a taxa Selic em 100 pontos-base, de 10,75% para 11,75%, e contratou um aumento semelhante para a reunião de maio, o que levaria o juro para 12,75%.

Na ata, o Copom avaliou que esse patamar da Selic é adequado para convergir a inflação para a meta “no horizonte relevante”, mas ponderou que pode reavaliar o tamanho do ciclo de juros caso o cenário econômico evolua de forma desfavorável.

Os diretores do Banco Central afirmaram que olham mais especificamente para o petróleo. No cenário base traçado pelo Copom, o preço do barril ficaria em torno de US$118 em março e chegaria até US$121 no fim de 2023, “extrapolando todo o horizonte relevante”. Hoje o petróleo Brent é negociado na faixa de US$115 por barril, alta de mais de 40% em 2022.

Por outro lado, o Copom disse na ata que também trabalha com um cenário alternativo para a Selic, considerado o mais provável, no qual o petróleo termina o ano em US$100 por barril. Essa visão é corroborada pelos contratos futuros do Brent com entrega em dezembro, que são negociados atualmente perto de US$99 por barril.

“O Copom considera que a divulgação de cenário alternativo é particularmente útil e informativa em ambiente altamente incerto”, diz a ata.

Contudo, o comitê disse que caso o cenário do petróleo fique mais perto das projeções base, ou seja, com cotações mais elevadas ao final de 2022, “o ciclo de juros deverá ser ainda mais contracionista”.

“A ata do Copom dá mais sinais que eles pretendem encerrar o ciclo de alta em 12,75%, mas deixa a porta aberta para ir além”, disse Gustavo Cruz, economista da RB Investimentos.

Projeções

O BC trabalha com a inflação de 2022 acima da meta, chegando a 6,30% e depois convergindo em 2023, atingindo 3,10%.

O cenário interno também é incerto para o Copom, com “a adoção de políticas fiscais que piorem a trajetória fiscal ou impulsionem a demanda”, o que deve elevar os prêmios de risco do país.

Na ata, o Copom deixa claro que avaliará o momento da economia global e nacional com “serenidade”, estudando “a extensão e duração dos atuais choques”.

Nesse sentido, o comitê diz que “estará pronto para ajustar o ciclo de aperto monetário até que se consolide o processo de desinflação e a ancoragem de expectativas”.

Texto: Gilherme Dogo
Edição: Gustavo Bonato e Stéfanie Rigamonti
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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