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Banco Central eleva compulsório de bancos e retira liquidez na economia

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Banco Central eleva compulsório de bancos e retira liquidez na economia

Elevação da alíquota incidente sobre aplicações em papéis emitidos pelos bancos, retirará até R$42 bilhões de circulação, diz Banco Central

Banco Central eleva compulsório de bancos e retira liquidez na economia
gabriel-pontes

Atualizado há 6 meses

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Brasília, 22 de novembro – Em uma medida já prevista pelo mercado, o Banco Central elevou, a partir desta segunda-feira, a alíquota para o depósito compulsório sobre recursos a prazo dos bancos de 17,0% para 20,0%, revendo a redução implementada em março de 2020 como forma de auxiliar a economia local no combate à pandemia da Covid-19.

De acordo com a autoridade monetária, com a elevação da alíquota incidente sobre aplicações em CDBs, RDBs e outros papéis emitidos pelos bancos, haverá retirada de até R$42 bilhões de circulação da economia, já que esses recursos não estarão mais disponíveis para as instituições emprestarem a pessoas físicas e jurídicas. Agora, com uma menor liquidez nos mercados, ainda que marginal, a elevação da alíquota poderá afetar a taxa de juros repassada aos consumidores, em razão de uma menor oferta de moeda pelas instituições financeiras.

O impacto da medida, porém, poderá ser menor já que o Banco Central informou que instituições que depositarem ativos com acesso às Linhas Financeiras de Liquidez poderão deduzir até três pontos percentuais de compulsório, mantendo o patamar de 17,0%, sem qualquer custo adicional.

Desde que anunciou a redução da alíquota dos depósitos compulsórios sobre recursos a prazo, no início da pandemia, o BC calcula ter injetado R$330 bilhões na economia. A autarquia também já havia prorrogado a alíquota reduzida de compulsório sobre recursos a prazo, de 17,0%,inicialmente prevista para retornar ao patamar de 20,0% em abril deste ano. Ainda de acordo com o BC, o volume total atual de recolhimentos compulsórios é de R$444 bilhões.

Política do Banco Central para controlar inflação

A redução do compulsório é uma medida coerente com a política atual do Banco Central de combater a alta da inflação, e complementa a política de alta dos juros da Selic. De certa maneira, evita a necessidade de um aumento maior dos juros para reduzir a inflação via crédito.

A medida já era esperada, mas pode ter ajudado a derrubar as ações das instituições financeiras, que terão menos recursos para emprestar. Os bancos operam, de forma majoritária, no território negativo nesta segunda-feira, com destaque para os papéis do Banco Inter, com queda de 11,84%, cotados a R$36,06.

Operadores, no entanto, minimizaram a alteração da alíquota sobre as taxas de juros, que passaram a subir com mais força hoje à tarde. De acordo com esses traders, a elevação dos yields dos Treasuries, no exterior, na esteira do anúncio pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, sobre a recondução de Jerome Powell ao cargo de presidente do Fed, tem exercido mais peso sobre os juros locais do que a alta do compulsório.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Angelo Pavini
Arte: Vinícius Martins / Mover

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