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Banco Central planeja mudar cálculo de rendimento da poupança

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Banco Central planeja mudar cálculo de rendimento da poupança

Banco Central diz que a revisão da remuneração da poupança está sendo estudada; anúncio foi às vésperas da última reunião do ano do Copom

Banco Central planeja mudar cálculo de rendimento da poupança
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Atualizado há 6 meses

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São Paulo, 2 de dezembro- O Banco Central está analisando modificar as diretrizes para o cálculo do rendimento da poupança, com revisões na regra de correção da caderneta, de acordo com informações dadas recentemente pelo presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, em evento do setor imobiliário.

A mudança não é imediata, ela será feita em etapas e passará por consulta pública. O anúncio foi feito às vésperas da última reunião do ano do Comitê de Política Monetária, Copom, que ocorrerá nos próximos dias 7 e 8. A a previsão do BC para o encontro é de novo aumento na taxa básica de juros, Selic, que pode ir do valor atual de 7,75%, para 9,25%.

Hoje a caderneta de poupança rende 70% da Selic mais a Taxa Referencial, que está zerada, ou 5,43% ao ano. Mas isso só vale com a taxa básica de juros abaixo de 8,5%. Se ela ultrapassar essa porcentagem, aí o rendimento da poupança vai para 0,5% ao mês, ou 6,17% em 12 meses. Ou seja, diante do ciclo de altas na Selic e com a previsão de mais um aumento na última reunião do Copom deste ano, a fórmula pode mudar.

Mesmo com esse rendimento maior, a preocupação é de que haja muita saída da poupança, de acordo com o presidente do Banco Central. “Com a Selic em 2%, estávamos preocupados com a migração alta para a poupança. Com a taxa de juros subindo, temos preocupação com a saída de recursos da poupança”.

Indexação

A poupança ainda é o investimento mais buscado pelos brasileiros, segundo o último raio-x do investidor da Anbima. E, apesar de ter uma liquidez de curto prazo, podendo o investidor retirar o dinheiro a qualquer momento, muitas vezes é fonte de crédito para a compra de imóveis, que costuma ser de longo prazo, com parcelas que duram até 30 anos.

A proposta do BC é que a correção dessa aplicação seja justamente mais próxima daquela utilizada para realizar financiamentos imobiliários, permitindo assim um casamento de prazos e indexadores. A transição é apoiada por representantes do setor.

A modificação em estudo do BC, que já dura um ano e pode ser anunciada já no ano que vem, diminuiria a demanda por tanto aporte para reserva e, com isso, sobrariam mais recursos para o sistema.

Atualmente, a poupança é o investimento em renda fixa de menor rentabilidade do mercado, acompanha a Selic e, quando há altas na taxa básica de juros, é uma aplicação mais atrativa por possuir menos riscos, com menos instabilidade diária. Entretanto, em um cenário de inflação fora de controle como o atual, pode se tornar desinteressante, pois existem outros tipos de investimentos igualmente com baixo risco e mais retorno.

Texto: Beatriz Lauerti
Edição: Stéfanie Rigamonti
Arte: Vinícius Martins/ Mover

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