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Banco francês projeta recessão para o Brasil em 2022

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Banco francês projeta recessão para o Brasil em 2022

A conjuntura global desafiadora, efeitos climáticos do La Niña, e reflexos da atividade ruim de 2021 devem contribuir para recessão, diz BNP

Banco francês projeta recessão para o Brasil em 2022
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Atualizado há 4 meses

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Brasília, 24 de janeiro – O BNP Paribas passou a projetar um quadro de recessão para a economia brasileira em 2022, em meio à conjuntura global desafiadora, aos efeitos climáticos do fenômeno La Niña, e aos reflexos da atividade ruim do ano passado, que ainda pode ter peso nos dados de 2022.

O banco francês divulgou hoje um relatório revisando sua projeção para o Produto Interno Bruto brasileiro para queda de 0,50% para este ano, ante estimativa de crescimento de meio ponto percentual.

Os economistas Laiz Carvalho, Gustavo Arruda e Andre Digiacomo mencionam como principais detratores da atividade brasileira a postura mais dura a ser adotada pelo Federal Reserve e a política de “zero covid” implementada pela China.

De acordo com o BNP, da projeção de 4,5% de crescimento para a atividade em 2021, 4,10% correspondem a fatores externos, como preços de commodities.

“Mesmo assumindo um suporte dos preços de commodities, projetamos que a contribuição ao crescimento seja de cerca de zero neste ano.”

As consequências climáticas do La Niña, que causam estiagem na região Sul do país, deverão contribuir para revisões para baixo acerca do crescimento do setor agrícola no país.

Para o setor de serviços, o BNP vê “melhora gradual” pela reabertura da economia, enquanto o setor industrial continua a enfrentar escassez de oferta. Para 2023, o banco projeta crescimento da atividade de 1,0%, ante avanço de 2,0% estimado inicialmente.

Ciclo de alta dos juros

A instituição também prevê que o Banco Central mantenha os juros no nível contracionista por mais tempo. “A necessidade de reancorar as expectativas de inflação, em um cenário de política fiscal arriscada e inflação, forçará o Banco Central a manter os juros mais altos por mais tempo.”

Dessa forma, o BNP entende que uma vez que o ciclo de elevação dos juros seja encerrado, o BC tende a manter a taxa básica, chamada Selic, em 12,0% pelo menos até o fim do ano.

O time também prevê que o Comitê de Política Monetária do BC aumente a taxa Selic em 150 pontos-base, a 10,75%, em fevereiro, e em 125 pontos-base, em março.

O BNP calcula um início de corte dos juros, ainda que de maneira “cautelosa”, a partir de 2023, alcançando o patamar de 9,5% ao fim do ano que vem – em um aperto que se justifica pela necessidade de reancorar as expectativas inflacionárias.

Inflação acima da meta

Ainda no relatório, o BNP revisou a previsão do IPCA, índice considerado pelo BC como a inflação oficial do país, ao fim de 2022 de 5,5% para 6%. Para 2023, passou a projetar alta de 4,0%, ante 3,5%, diante de estimativas de alta no petróleo e de inflação acima da meta.

Os analistas rotularam a política fiscal no Brasil como “uma história sem fim” e projetam novas discussões de gastos fiscais, após a flexibilização do Teto de Gastos e em meio a novos projetos eleitorais. Para o ano, o banco projeta déficit fiscal de 0,8%, com a dívida bruta como proporção do PIB atingindo patamar de 83%.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Gabriela Guedes
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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