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Atualizado há 18 dias

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São Paulo, 8 de novembro – Com os ganhos do Banco do Brasil acima do consenso, as quatro maiores instituições financeiras brasileiras em ativos listadas na B3 viram seus lucros líquidos neste ano dispararem. Os resultados dos bancos vêm na esteira do avanço da vacinação e da consequente retomada da economia, que impactou linhas importantes de negócios bancários, como crédito, seguros, atração de novos correntistas e cartões.

Entre janeiro e setembro, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Santander – na ordem, os maiores bancos de capital aberto em ativos – apuraram lucro líquido conjunto de R$66,34 bilhões, 45,2% maior quando comparado a igual período do ano passado. Já no terceiro trimestre, os ganhos combinados somaram R$22,97 bilhões, alta de 32,1%.

Em 2021, a redução paulatina do folgado colchão para créditos de liquidação duvidosa realizado pelos bancos no ano passado colaborou para a alta nos lucros.

As carteiras de crédito expandiram, engordando ainda mais os ganhos. No Itaú, cresceu 13,6%, a R$962,3 bilhões, ante setembro de 2020; no Banco do Brasil, subiu 11,4%, a R$814,2 bilhões; no Bradesco, avançou 16,4%, para R$773,32 bilhões; e no Santander, pulou 13,1%, atingindo R$526,48 bilhões, nas mesmas bases de comparação.

Recordes

Apesar da base mais fraca de 2020 em decorrência da pandemia do coronavírus, alguns desses bancos reportaram dados históricos neste ano. É o caso do lucro líquido do Bradesco no terceiro trimestre, que foi o segundo maior da história do banco, e o índice de inadimplência acima de 90 dias, que se repetiu no Itaú Unibanco, cuja carteira de crédito pessoa física também bateu recorde.

O BB também reportou lucro histórico no acumulado deste ano. “Foi o maior resultado já obtido pelo BB após os três primeiros trimestres”, disse o presidente da instituição, Fausto de Andrade Ribeiro, em nota à imprensa.

Já o Santander destacou números históricos em faturamento de crédito e rentabilidade. “Atingimos R$52 bilhões no trimestre em faturamento de crédito, recorde, e a melhor rentabilidade da nossa história, 22,4% no terceiro trimestre, suportada pela evolução da nossa base de clientes”, ressaltou o presidente do banco, Sérgio Rial.

Otimismo

O otimismo com os resultados pode ser observado nas projeções para o ano cheio de 2021 de Bradesco e Banco do Brasil, os últimos a divulgarem balanços entre os quatro bancos, que revisaram para cima linhas de negócios importantes na composição dos resultados.

O Bradesco prevê, agora, que sua carteira de crédito avance até 16,5% no ano, quando previa no máximo 13%. Enquanto BB estimava até 12% no mesmo quesito e aumentou para 16%, puxado, especialmente pelo financiamento rural, que já subiu 24,8% até setembro, percentual que deve pular a 31% ao final de 2021, ante a máxima de 15% prevista anteriormente.

“Este foi um trimestre de evolução. Com empresas e consumidores mais confiantes, sentimos maior engajamento em produtos como crédito, cartão de crédito, seguros e investimento, o que se reflete em aumento das receitas de prestação de serviço”, afirmou o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Jr.

Conforto

A inadimplência, que gerava pavor diante da redução da atividade econômica e dos níveis de emprego, foi mantida sob controle. Em alguns bancos, como o Bradesco no terceiro trimestre, ela também foi histórica, ficando abaixo de níveis pré-pandêmicos.

O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, espera aumento da inadimplência no próximo ano, como afirmou em teleconferência de resultados na semana passada, mas, como sempre, deixou claro que as instituições são precavidas.

“Projetamos uma retração de 0,5% na atividade econômica para o próximo ano e, por isso, já traçamos um cenário de maior inadimplência. Temos que estar sempre um passo à frente, então o nosso nível de provisões já é confortável para enfrentar essa piora esperada na qualidade do crédito”, disse.

As ações preferenciais de Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4) recuam respectivamente 18,77% e 10,95% no ano, punidas pela deterioração das perspectivas macroeconômicas. Os papéis ordinários do Banco do Brasil (BBAS3) derretem 20,33%, e as units do Santander Brasil (SANB11) caem 18,28%.

Texto: Iolanda Nascimento
Edição: Gustavo Boldrini
Arte: Vinicius Martins / Mover

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