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BC deve sinalizar alta menos intensa da Selic em março

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BC deve sinalizar alta menos intensa da Selic em março

Apesar da expectativa de aumento na Selic, o consenso entre analistas é que o ciclo de alta de juros no Brasil parece se aproximar de um fim

BC deve sinalizar alta menos intensa da Selic em março
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Atualizado há 3 meses

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São Paulo, 02 de fevereiro – O Banco Central do Brasil deve elevar a taxa básica de juros, a Selic, em 1,5 ponto percentual na reunião de política monetária desta quarta-feira, mas os investidores devem ficar atentos às possíveis sinalizações por movimentos menos intensos na luta da autarquia para controlar a pior escalada da inflação dos últimos anos.

Apesar da expectativa de aumento na Selic, o consenso entre analistas consultados pela Mover é que o ciclo de alta de juros no Brasil parece se aproximar de um fim. O Copom, comitê decisório dos juros do BC, deve fixar a taxa em 10,75% ao ano, ante os 9,25% atuais, de acordo com as estimativas de 16 bancos, consultorias e corretoras consultados.

Se confirmada, a alta de hoje seria o penúltimo capítulo do atual ciclo de aperto monetário, iniciado em março passado. A atenção está agora na indicação do Copom sobre o tamanho da provável alta da Selic na reunião de meados de março, uma vez que todas as fontes ouvidas projetam elevação abaixo do atual ritmo de 1,5 ponto percentual.

“Dado o cenário desafiador da inflação, o aumento do petróleo e a mudança do cenário monetário global, a orientação futura do BC provavelmente indicará que um aperto adicional está por vir”, disse o economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos.

Para ele, o Copom pode não explicitar a magnitude da próxima alta, “provavelmente optando por preservar a opcionalidade e… deixando a porta aberta para uma alta menor em março”. Um ritmo mais moderado de alta na Selic em março levaria em conta dados recentes mais fracos de inflação e atividade econômica.

Esse movimento poderia ser interpretado como uma quebra de paradigma, já que as divulgações mais recentes do Copom sempre deram pistas claras sobre o que esperar na decisão seguinte.

Os derivativos que refletem as expectativas para as próximas decisões de juros do Banco Central apontam para 95,1% de chances de se confirmar a alta de 1,5 ponto percentual nesta quarta-feira.

Já para a reunião de março, as chances são de 61,2% para alta de 1,25 ponto percentual e de 37,5% para o mesmo um ponto e meio.

Projeções

De acordo com a pesquisa semanal do BC conhecida como Boletim Focus, a Selic deve encerrar 2022 a 11,75% ao ano. Esse cenário poderia se dar apenas com um acréscimo de 1 ponto percentual em março, trajetória projetada por bancos como Itaú e JPMorgan, ou com um ciclo mais longo de altas – seguido de quedas pequenas no final do ano.

O Bank of America e o banco Inter calculam que a Selic terminal deve alcançar nível de 11,25%, após uma elevação em 50 pontos-base na reunião de março, mas admitem que ainda podem recalibrar as projeções levando em conta o tom do comunicado desta quarta-feira.

No entanto, a tarefa do Copom de levar novamente a inflação para a meta, que em 2022 é de no máximo 5% ao ano, não será fácil.

As projeções de inflação para este ano e o próximo seguem em patamares altos e se aproximam dos 6%. No Focus, as previsões para a inflação deste ano subiram de 5,15% para 5,38%.

No Brasil, além da alta de preços de combustíveis, há riscos fiscais aumentados em função do ano de eleição presidencial. Mundo afora, analistas citam o aperto monetário a ser promovido pelo Federal Reserve, banco central americano, o impacto da variante ômicron no mercado de trabalho e os percalços nas cadeias de produção e oferta globais.

O setor de transportes, que inclui gasolina, aparece como ponto de preocupação do mercado, à medida que os preços do petróleo estão próximos das máximas em sete anos.

O Copom tem destacado o aumento de riscos fiscais e o “esmorecimento do ímpeto por reformas estruturantes”. O tom da autoridade monetária amanhã deve reforçar essa percepção de risco.

Devido a essas pressões persistentes, o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, disse recentemente esperar que o Banco Central escreva um “comunicado com flexibilidade suficiente para replicar a alta de 150 pontos-base em março ou fazer menos se as condições assim permitirem”.

O cenário de um Banco Central mais paciente com a alta de juros, “sinalizando o fim do ciclo de alta de juros em 11,75%, contratando uma alta de 100 pontos-base em março, deve animar a bolsa brasileira sem afetar a trajetória de queda do dólar”, disse Moises Beida, trader e contribuidor do TC.

Já Christian Lupinacci, trader da Armor Capital, acredita que a bolsa deve reagir de forma mais neutra à decisão, mas aponta que sua visão para o cenário é de “Copom mais severo, sinalizando outra alta de 150 pontos-base em março”.

Texto: Clara Guimarães
Edição: Felipe Corleta e Gustavo Bonato
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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