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BC pode estender ciclo de alta da Selic, com inflação e cenário global

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BC pode estender ciclo de alta da Selic, com inflação e cenário global

A Selic deve ser elevada em um ponto percentual, para 12,75%, após reunião de hoje; mas resta dúvidas sobre até onde vai a alta dos juros

BC pode estender ciclo de alta da Selic, com inflação e cenário global
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Atualizado há 12 dias

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São Paulo, 3 de maio – O Banco Central do Brasil deve confirmar a sinalização dada em sua última reunião de política monetária, elevando a taxa básica de juros, a Selic, em um ponto percentual nesta quarta-feira, embora a inflação persistente e a piora do cenário global possam forçá-lo a abandonar a orientação de que encerrará o ciclo de altas neste mês.

Economistas e traders têm poucas dúvidas sobre o que esperar da decisão da reunião do Comitê de Política Monetária que acontece entre 3 e 4 de maio: todos os 18 bancos e casas de análises consultados pela Mover apostam na elevação da taxa Selic dos atuais 11,75% para 12,75%.

As opções na B3 para a reunião de maio, apesar da baixa liquidez, apontam para 92% de chances de se confirmar a elevação para 12,75% em maio, enquanto 4,45% apostam em 75 pontos-base, para 12,50%.

Dessa forma, a grande expectativa é com a indicação sobre a possibilidade de um novo aumento da Selic nas próximas reuniões, contrariando sinalização em março, e em meio a um cenário turbulento no exterior e à proximidade das eleições presidenciais no Brasil. Dos bancos consultados pela Mover, 16 prevêem a Selic em 13,75% no fim do ciclo. Já o BNP Paribas vê Selic a 14,25%, e o Credit Suisse em 14,00%.

“Entre errar para mais e a inflação acabar desacelerando mais rápido ou errar para menos e ter mais inflação para frente, acho que o BC vai preferir errar para mais” no ciclo de aperto, disse o economista-chefe da XP, Caio Megale, prevendo fim das altas em junho.

O economista-chefe da Gauss Capital, Guilherme Attuy, disse à TC Radio que espera tom mais severo, ou “hawkish”, do BC nesta quarta, com uma Selic de 13,75% ao fim do ciclo. Para ele e outros economistas, a intensificação da perspectiva para o ciclo de juros decorre do aumento da inflação projetada para 2023, hoje horizonte relevante para o BC.

Recentemente, o Credit Suisse e o JPMorgan elevaram suas projeções para o Índice de Preços do Consumidor Amplo, o IPCA, em 2023, para 4,6% e 4,2%, respectivamente, citando surpresas sucessivas em relação à disseminação da alta dos preços e previsão de um ambiente internacional mais desafiador.

“Não foi usual sinalizar um fim de ciclo enquanto as expectativas de inflação são ascendentes e devem seguir desancorando o IPCA de 2023 mais em direção ao teto do que ao centro da meta”, apontam economistas do BTG Pactual em relatório.

O IPCA-15, índice considerado a prévia da inflação. divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, veio abaixo do consenso em abril, em 1,73%, mas ainda assim registrou o pior resultado para o mês em 27 anos. Na variação anual, o IPCA-15 já acumula alta de 12,03%.

Para Attuy, os dados da inflação ainda não oferecem indícios para que o BC pare de se preocupar. “Os números seguem ruins, confirmando dados de atividades vinculados a serviços, o que tem impulsionado bastante a dinâmica da inflação”, avaliou Attuy.

Texto: Clara Guimarães
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Stéfanie Rigamonti
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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