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Bilionários dobraram de patrimônio na pandemia, mostra relatório da Oxfam

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Bilionários dobraram de patrimônio na pandemia, mostra relatório da Oxfam

Bilionários ficaram mais ricos enquanto 99% da população mundial teve cortes na renda e 160 milhões entraram em situação de pobreza

Bilionários dobraram de patrimônio na pandemia, mostra relatório da Oxfam
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Atualizado há 4 meses

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São Paulo, 17 de janeiro –Os 10 homens mais ricos do mundo possuem agora patrimônios duas vezes maiores do que tinham antes da pandemia de covid-19, de acordo com o relatório “A Desigualdade Mata”, divulgado pela Oxfam no domingo.

As riquezas dos bilionários do mundo saltaram de US$700 bilhões para US$ 1,5 trilhão, crescendo cerca de US$1,3 bilhão por dia nos dois primeiros anos da pandemia. Entre esses indivíduos estão Elon Musk, Jeff Bezos, Bernard Arnault, Bill Gates, Larry Ellison, Larry Page, Sergey Brin, Mark Zuckerberg, Steve Ballmer e Warren Buffet.

Os dados divulgados pela Oxfam utilizam como base informações da revista Forbes 2021, do Global Wealth Databook 2021, que é do Instituto de Pesquisa do Credit Suisse, e números do Banco Mundial.

O documento afirma que os governos injetaram cerca de US$16 trilhões em estímulos à economia global desde o início da crise, o que gerou aumento nos preços das ações e impactou na riqueza dos bilionários.

Já a fortuna total do grupo dos mais ricos do planeta subiu de US$8,6 trilhões em março de 2020 para US$13,8 trilhões em novembro de 2021, maior alta dos últimos 14 anos combinados.
Enquanto isso, ao redor do mundo, cerca de 99% dos cidadãos tiveram cortes de renda e a quantidade de indivíduos em situação de pobreza aumentou em 160 milhões, alerta o relatório.

Situação no Brasil

Ainda de acordo a Oxfam, entre 2019 e 2021 o patrimônio dos mais ricos cresceu 30% no Brasil. Já a maioria da população brasileira teve perda de 0,2% nos recursos.

O relatório aponta também que desde o início da pandemia, dez pessoas entraram para a lista de mais ricos do país, que conta com 55 bilionários no total, concentrando US$176 bilhões.

Os 20 maiores bilionários do Brasil acumulam US$121 bilhões, mais dinheiro do que o concentrado por 60% da população do país, o que corresponde a 128 milhões de brasileiros.

No final do primeiro ano de pandemia no Brasil, cerca de 55% dos cidadãos sofriam com insegurança alimentar, o equivalente à 116,8 milhões de pessoas, e 9% estavam em situação de fome, o que corresponde a 19,1 milhões de brasileiros.

As mulheres e pessoas negras foram a parcela da população mais afetadas pela pandemia no país, segundo a Oxfam.

Os dados indicam que das famílias chefiadas por homens, 7,7% passavam fome, contra 11,1% das casas comandadas por mulheres. Entre as pessoas brancas, 7,5% dos lares passavam por situação de fome, frente 10,7% das famílias chefiadas por negros ou negras no Brasil.

Além disso, alguns grupos raciais e países foram mais impactados pelo vírus. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, no Brasil as pessoas negras têm 1,5 vezes mais risco de morrer por covid em comparação às brancas, e a maioria dos óbitos ainda se concentra nas periferias, mesmo com o avanço da vacinação.

A desigualdade também está no acesso global às vacinas, e pode ser observada na medida em que o número de mortos por coronavírus nos países em desenvolvimento é o dobro do que o registrado nos países ricos. Isso porque as nações com mais recursos dominam o mercado das empresas farmacêuticas, como revela o relatório.

Desigualdade e crise climática

O relatório mostra que mulheres do mundo todo chegaram a perder US$800 bilhões em 2020, número maior do que o Produto Interno Bruto de 98 países juntos.

Além disso, o cenário de desigualdade impacta na morte de uma pessoa a cada quatro segundos, em todo o mundo. São cerca de 21 mil óbitos por dia causados por fome, falta de acesso à saúde pública, violência de gênero e crise climática, de acordo com o documento.

Mudanças para o futuro

A Oxfam recomendou no relatório que governos passem a taxar as fortunas e invistam em políticas de saúde pública, proteção social, adaptação climática e contra violência e desigualdade de gênero, além de destacar a necessidade de leis mais eficientes para a proteção dos trabalhadores.

De acordo com a organização, as desigualdades têm solução porque são fruto de escolhas políticas.

“Do jeito que a economia global está estruturada, os mais ricos continuarão se beneficiando e lucrando, enquanto bilhões de pessoas, principalmente mulheres e população negra e de etnias minoritárias, ficarão no final da fila, sujeitas à pobreza extrema, violência e morte”, destacou o documento, que precede o Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça.

Texto: Beatriz Lauerti
Edição: Stéfanie Rigamonti e Gabriela Guedes
Imagem: Divulgação

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