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Atualizado há cerca de 1 ano

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou na manhã desta terça-feira o fim dos estudos para criação do programa social Renda Brasil e a continuidade do Bolsa Família, criticando abertamente propostas da equipe econômica, comandada pelo ministro Paulo Guedes. “No meu governo até 2022, está proibido falar a palavra Renda Brasil”, afirmou em vídeo divulgado nas redes sociais. Bolsonaro também ameaçou dar “cartão vermelho” para quem trouxesse propostas de cortes de programas sociais para baixa renda e convocou Guedes para uma reunião logo pela manhã.

Bolsonaro também criticou as manchetes dos jornais brasileiros, que diziam que para a criação do Renda Brasil, o governo diminuiria a verba direcionada aos idosos e pessoas pobres com deficiência, além de congelar a aposentadoria. As declarações sobre a proposta de congelamento de aposentadorias foram dadas pelo secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues. Seria uma das formas para obter recursos para o Renda Brasil.



Renda Brasil, o substituto do Bolsa Família

O Renda Brasil foi pensado para substituir o Bolsa Família, benefício criado pelo então presidente Lula (PT) em 2003, ampliando e unindo outros programas sociais criados por Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Anunciado por Paulo Guedes em junho, o Renda Brasil também unificaria e expandiria outros programas sociais, além de substituir o auxílio emergencial, que cessa em dezembro. A assistência deveria ficar entre R$250 e R$300, beneficiando cerca de 8 milhões de brasileiros.

Conflito entre Bolsonaro e Ministério da Economia

Além de mudar o plano de benefícios de milhões de brasileiros, o presidente praticamente ameaçou demitir a equipe econômica. “Quem, porventura, vier propor uma medida como essa, eu só posso dar um cartão vermelho pra essa pessoa”, diz Bolsonaro.

No domingo, Waldery Rodrigues disse ao G1 que o governo estudava congelar os benefícios previdenciários, como a aposentadoria, ideia também defendida por ele na segunda, 14. Além do congelamento, a redução de parcelas de seguro-desemprego e o aumento do tempo de carência foram especuladas por Rodrigues durante entrevista hoje ao G1.

Os ministérios da Economia e da Cidadania estudavam o corte de R$10 bilhões dos benefícios às pessoas com deficiência e idosos carentes, segundo a Folha de S.Paulo. O presidente também desautorizou esses estudos durante o vídeo.

Esta não é a primeira vez que Bolsonaro e a equipe de Guedes trocam farpas sobre o Renda Brasil. No final de agosto, o presidente criticou abertamente a proposta da equipe econômica de cortar o abono salarial, considerado o 14º salário para quem ganha até dois salários mínimos com carteira assinada, para financiar o novo benefício. Guedes considerou a resposta pública de Bolsonaro “um carrinho”, uma entrada perigosa” digna de pênalti.

Os dois lados da moeda

Apesar do impacto fiscal positivo, o fim do Renda Brasil para a economia será mais complicado no ano que vem, segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. De acordo com ele, serão R$332,4 bilhões que foram colocados no consumo este ano e que serão tirados de 2021. “Com a taxa de desemprego elevada e crescimento baixo, fica difícil realocar as pessoas no mercado de trabalho e o consumo sofrerá adicionalmente”, explica.

O fim do Renda Brasil, do ponto de vista fiscal, tirou gastos que fazem parte do problema chamado risco Brasil, explica o economista-chefe da Quantitas Gestão, Ivo Chermont. “Não dá para dizer que o risco acabou, mas eu acho que o risco fiscal e o risco da queda do teto diminuíram sensivelmente”, disse Chermont em vídeo-conferência do banco digital Modamais.

O cancelamento do programa Renda Brasil é uma escolha do governo para preservar o teto de gastos e evitar a colisão com o mercado, defende Luciano Sobral. Mas o Congresso Nacional, afirma, ainda pode criar um “Renda Brasil do jeito dele”, o que pode ser um risco ainda maior, observa Chermont.

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