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BV alerta para mercado local desaquecido, mas enxerga América Latina como "refúgio"

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BV alerta para mercado local desaquecido, mas enxerga América Latina como "refúgio"

O mercado brasileiro demonstrou força no início de 2022, com volumes de fluxo recorde, mas os ganhos foram devolvidos em pouco tempo

BV alerta para mercado local desaquecido, mas enxerga América Latina como "refúgio"
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Atualizado há 15 dias

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São Paulo, 9 de maio – Em entrevista à TC Rádio nesta segunda-feira, o economista-chefe do BV, Roberto Padovani, alertou para um cenário de desaquecimento no mercado local, sob a justificativa de o Banco Central ter aumentado a taxa de juro e sinalizado que haverá outras altas nas próximas reuniões em meio à inflação persistente.

A bolsa brasileira demonstrou força no início de 2022, com volumes de fluxo recorde e o principal índice acionário da B3 recuperando grande parte das perdas do ano passado. Isso tudo, no entanto, foi devolvido num curto espaço de tempo.

Na análise de Padovani, o mercado financeiro se frustrou com a expectativa muito alta do avanço de reformas pelo país. Ainda assim, ele acredita que, diante de uma pandemia, o desempenho da equipe econômica foi “muito bom”, com avanço de programas de privatizações e reformas que avançaram, como a autonomia do Banco Central.

O economista enxerga a América Latina como um “porto seguro”, distante da guerra na Ucrânia, com os fluxos de capitais sendo preservados. “Os desafios da região, no entanto, são voltados para uma economia muito mais produtiva para surfar momentos bons e ruins da economia mundial”.

Para ele, a combinação de pandemia da Covid-19 na China, associada à guerra na Europa, mantém as cadeiras produtivas desequilibradas, com o preço das matérias-primas em patamares elevados.

“Todo esse cenário mundo afora adiciona mais inflação no mundo, o que faz com que os bancos centrais nos Estados Unidos e na Europa também sinalizem retirada mais rápida dos estímulos. O que temos, portanto, é uma acomodação da demanda”.

Segundo ele, a possibilidade de uma recessão global depende muito da atitude dos bancos centrais, em especial do Federal Reserve, dos EUA. “A recessão só é produzida se a retirada de estímulos [do mercado] for muito agressiva tanto nos EUA quanto na Europa. Então acredito ser um cenário que pode ainda ser controlado”.

Padovani afirmou que ainda é cedo para saber se a autoridade monetária americana perdeu a credibilidade no mercado, diante da inflação mais alta nos últimos 40 anos nos EUA. “A princípio [O Fed] tem ainda total condição do manejo sobre esse contexto”, afirmou.

Texto: Cintia Thomaz
Edição: Allan Ravagnani e Stéfanie Rigamonti
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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