0

Campos Neto vê porta ainda aberta para alta da Selic em junho

mercados

Campos Neto vê porta ainda aberta para alta da Selic em junho

O presidente do BC repetiu que espera que a inflação atinja pico em abril, mas destacou incertezas com a guerra, que podem impactar a Selic

Campos Neto vê porta ainda aberta para alta da Selic em junho
angelo-pavini

Atualizado há cerca de 2 meses

Ícone de compartilhamento

São Paulo, 25 de março – O Banco Central vê maior probabilidade de que a alta da Selic termine em 12,75% na reunião do Copom de maio, mas o cenário é de grande incerteza e por isso deixou a porta aberta para mais um ajuste em junho, afirmou hoje o presidente do BC, Roberto Campos Neto.

Ele participou de evento em comemoração aos cem anos do Banco Central do Peru, com apoio do Banco de Compensações Internacionais, juntamente com o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, e outros dirigentes de bancos centrais.

Campos Neto repetiu que espera que a inflação atinja seu pico em abril, em torno de 11% ao ano, e que então comece a recuar. Ele destacou, porém, que há grande incerteza com os desdobramentos do conflito na Ucrânia. E que a guerra terá grande impacto na inflação brasileira ao provocar um choque de oferta nas commodities, em especial as ligadas à energia, como petróleo, e alimentos, como grãos.

Segundo Campos Neto, o que levaria o BC a repensar o fim do ajuste da taxa Selic em maio seria alguma disrupção de mercado ou uma intensificação da crise nos próximos meses. “Por isso deixamos a porta aberta para junho, pois não sabemos a extensão da crise”, disse. Ele acrescentou, porém, que uma alta da Selic em junho, neste momento, não é o cenário mais provável.

O presidente do BC observou que a alta das commodities metálicas e agrícolas acaba sendo benéfica para o Brasil, grande produtor e exportador. Já o petróleo, apesar de o Brasil ser grande produtor, terá impactos negativos ao pressionar os preços.

Sobre a independência do BC brasileiro aprovada recentemente, Campos Neto afirmou que o banco ainda não garantiu sua independência financeira, o que o deixaria a autarquia sujeita a pressões por parte dos governos e limitaria sua gestão. Ele deu o exemplo da atual ameaça de greve dos funcionários do BC, e disse que a negociação salarial esbarra nas políticas do governo como um todo.

BC dos Estados Unidos

Já o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, destacou que o banco central americano tem de promover a normalização de sua política monetária e de seu balanço de maneira transparente e com boa comunicação com o mercado.

Segundo ele, o ritmo de alta dos juros americanos dependerá dos dados econômicos que serão divulgados nos próximos meses. Se os números mostrarem que é apropriado acelerar a alta dos Fed Funds de 0,25 ponto percentual para 0,50, ele apoiará a decisão.

Williams afirmou também que o foco do Fed está no fato de a inflação estar muito acima da meta de 2% ao ano. Segundo ele, a atividade econômica não foi tão afetada pela nova onda da variante ômicron do coronavírus como se esperava, enquanto os gargalos nas cadeias de produção estão durando muito mais que o previsto.

Williams destacou que o objetivo do Fed é manter as expectativas de longo prazo para a inflação dentro da meta.

Texto: Angelo Pavini
Edição: Lucia Boldrini
Imagem: Vinicius Martins / Mover

relatorios
image

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.