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Com PIB negativo pelo 2º trimestre seguido, Brasil entra em recessão técnica

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Com PIB negativo pelo 2º trimestre seguido, Brasil entra em recessão técnica

A agropecuária foi um dos setores que mais pesaram no PIB brasileiro do trimestre, cuja baixa levou o Brasil à recessão técnica

Com PIB negativo pelo 2º trimestre seguido, Brasil entra em recessão técnica
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Atualizado há 6 meses

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São Paulo, 2 de dezembro –  Apesar da alta do setor de serviços, a agropecuária voltou a pesar fortemente no cálculo do Produto Interno Bruto do Brasil no terceiro trimestre, fazendo o país entrar em recessão técnica após dois trimestres negativos de PIB, de acordo com o IBGE.

Segundo o instituto, o PIB do Brasil no terceiro trimestre caiu 0,10% na comparação com o segundo trimestre, quando o consenso apontava para uma estabilidade. No acumulado de quatro trimestres até setembro, a economia avançou 3,90%.

O IBGE também revisou para baixo o cálculo do segundo trimestre, de queda de 0,10% para baixa de 0,40%. De outro lado, o instituto revisou para cima o PIB do primeiro trimestre deste ano, de 1,20% para 1,30%.

O peso veio da queda de 8,00% do setor agropecuário no trimestre, o que ofuscou a alta de 0,70% dos serviços e a estabilidade da indústria no período. A baixa de 9,80% das exportações também influenciou para o resultado negativo, segundo o IBGE.

Dessa forma, o PIB está no mesmo patamar do fim de 2019, ou seja, no período pré-pandemia, mas está 3,40% abaixo do ponto mais alto da atividade econômica, atingido no primeiro trimestre de 2014. Em valores correntes, o PIB atingiu R$2,2 trilhões.

Impactos negativos

O PIB do terceiro trimestre mostra que a economia perdeu o ímpeto observado no primeiro trimestre, reflexo também da desaceleração da economia global e da inflação em alta, que encarece os insumos. Por outro lado, a reabertura econômica segue trazendo números positivos, como observado na alta do setor de serviços, que detém 70% de peso no cálculo do PIB.

O resultado negativo da agropecuária também vem na esteira do encerramento da safra de soja, o que acaba por impactar as exportações. A coordenadora de contas nacionais do IBGE, Rebeca Palis, explica que essa é a principal commodity brasileira e é um movimento natural do terceiro período do ano.

“Além disso, a agropecuária vem de uma base de comparação alta, já que foi a atividade que mais cresceu no período de pandemia e, para este ano, as perspectivas não foram tão positivas”, explica Palis.

A indústria, por vez, que responde por 20% do PIB nacional, teve crescimento apenas na construção, em 3,90%, mas a indústria de transformação caiu 1,00% e as extrativas tiveram queda de 0,40%.

“O encarecimento dos insumos e outros problemas na cadeia produtiva, além da crise energética, vêm afetando o setor industrial”, ressalta Palis.

Já a balança comercial brasileira teve baixa de 9,80% nas exportações de bens e serviços, além de queda de 8,30% nas importações. Na comparação anual, porém, ambas tiveram alta acentuada, de 4,0% e 20,6%, respectivamente.

Ponto positivo

Já o setor de serviços teve alta nas atividades das famílias, consequência do avanço da vacinação e da reabertura econômica. O consumo das famílias também cresceu, em 0,90%, enquanto o consumo do governo teve alta de 0,80%.

O economista e sócio da BRA João Beck diz que a contribuição do consumo das famílias deve perder força no quarto trimestre, uma vez que os dados do terceiro ainda refletem os juros baixos e aumento da mobilidade.

O cenário, diz Beck, mudou: “Agora há uma menor confiança dos consumidores e inflação em alta”. Beck também chama a atenção para a alta da Selic, que deve impactar os números nos próximos trimestres.

Texto: Guilherme Dogo
Edição: Artur Horta
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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