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Atualizado há cerca de 1 mês

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São Paulo, 27 de outubro - O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, Copom, acelerou o ciclo de alta da taxa Selic para 150 pontos-base, adotando a postura mais agressiva dos últimos 18 anos na política monetária nesta quarta-feira. A taxa básica de juros passou de 6,25% para 7,75% ao ano, maior majoração desde 2003. Para a próxima reunião, marcada para dezembro, o Banco Central pretende manter o ritmo de elevação dos juros básicos, que devem chegar a 9,25% ao ano.

Segundo comunicado divulgado após a decisão, a alta da taxa Selic em 1,5 ponto percentual veio em linha com os indicadores divulgados no Brasil, com uma evolução da atividade econômica ligeiramente abaixo do esperado e a continuidade da inflação elevada ao consumidor elevada.

“A alta dos preços veio acima do esperado, liderada pelos componentes mais voláteis, mas observam-se também pressões adicionais nos itens associados à inflação subjacente”, destacou o comunicado.

Risco fiscal preocupa Copom

Os membros do Copom acenderam o alerta para a questão fiscal brasileira. Neste comunicado, o tema ganhou força e despertou a preocupação do comitê decisório do Banco Central diante das incertezas na política nacional. “Novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal podem elevar os prêmios de risco do país”, explicou o documento.

“Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico”, acrescentou o Comitê.

Ritmo de alta da taxa Selic

Após destacar o lado fiscal, o comunicado do Copom deixou clara a necessidade de mais uma elevação da taxa Selic na casa de 150 pontos base na reunião de dezembro. “Para a próxima reunião, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”, destacou.

Entre os riscos externos, o Copom aponta que o ambiente tem se tornado menos favorável e a reação dos bancos centrais frente à maior persistência da inflação deve levar a um cenário mais desafiador para economias emergentes.

As expectativas de inflação subiram e atualmente se encontram em níveis bem acima da meta oficial de 3,75% para este ano e de 3,50% para 2022. De acordo com o comunicado da decisão, as expectativas para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela Pesquisa Focus encontram-se em torno de 9,0%, 4,4% e 3,3%, respectivamente. Já as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 9,5% para 2021, 4,1% para 2022 e 3,1% para 2023.

A ata da reunião, que costuma ser divulgada na terça-feira da semana seguinte à decisão, será divulgada, excepcionalmente, na quarta-feira, dia 7 de novembro, devido ao feriado de Finados.

Texto: Eduardo Puccioni

Edição: Renato Carvalho e Letícia Matsuura

Arte: Vinícius Martins / Mover

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