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Atualizado há cerca de 2 meses

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São Paulo, 8 de dezembro – O Comitê de Política Monetária do Banco Central, Copom, confirmou as expectativas e elevou nesta quarta-feira a Selic, taxa básica de juros, em 1,5 ponto percentual, a 9,25% ao ano. Além disso, a autarquia sinalizou que manterá o ritmo de aperto monetário na reunião de fevereiro, em uma tentativa de arrefecer as pressões inflacionárias, enquanto a atividade econômica apresenta sinais de fraqueza.

Em seu comunicado, o Banco Central sinalizou que deve realizar outro aumento, de mesma magnitude, na próxima reunião em fevereiro de 2022. Se confirmada, a série de três altas totalizará 4,5 pontos percentuais e será a mais forte desde o início de 2003.

“O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”, informou em comunicado.

A decisão de hoje constitui o sétimo aumento consecutivo dos juros após a taxa Selic alcançar mínima histórica, de 2,00% em agosto de 2020, mantida até março deste ano, diante da pandemia da covid-19.

Política monetária contracionista

Com a elevação promovida nesta quarta-feira, a taxa encontra-se no maior nível desde setembro de 2017, quando o Banco Central implementava um ciclo de afrouxamento monetário, após alcançar patamar de 14,25% em decorrência da crise econômica de 2015-2016.

Repetindo linguagem já utilizada na reunião passada, de outubro, o Copom reportou que no atual momento, o cenário básico e o seu balanço de riscos indicam ser apropriado que o ciclo de aperto monetário “avance significativamente no território contracionista”. Em outubro, o colegiado havia utilizado os termos “ainda mais” ao invés de “significativamente”.

“O Comitê irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, destacou no mesmo trecho.

A decisão foi unânime. Ainda de acordo com o Copom, o aperto no juro não constitui em prejuízo ao objetivo fundamental do Banco Central, de assegurar a estabilidade de preços, e implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

Copom de olho em ômicron e mercado externo

Em outro ponto do seu comunicado, o Copom reconheceu que o cenário externo tornou-se menos favorável, mencionando a postura de cautela reportada por autoridades monetárias em escala global diante da persistência inflacionária.

“Além disso, a possibilidade de nova onda da covid-19 durante o inverno e o aparecimento da variante ômicron adicionam incerteza quanto ao ritmo de recuperação nas economias centrais.”

Perspectiva do Copom sobre inflação

O Copom também sinalizou que indicadores econômicos locais, divulgados desde a última reunião, em outubro, reportam evolução “moderadamente abaixo da esperada”. Ainda na visão do comitê, a inflação ao consumidor continua elevada.

Discorrendo sobre a situação fiscal, o Copom avaliou que questionamentos relacionados às contas públicas do governo “elevam o risco de desancoragem das expectativas de inflação, mantendo a assimetria altista no balanço de riscos”.

Também no documento, o Banco Central atualizou as projeções para a inflação. Em seu cenário básico, no qual utiliza o câmbio variando conforme a Paridade do Poder de Compra e juros do Relatório de Mercado Focus, a autoridade monetária elevou a projeção do IPCA, índice considerado a inflação oficial, de 2021 de 9,5% para 10,2%. Já para 2022, a expectativa foi de 4,1% para 4,7%, enquanto, para 2023, passou de 3,1% para 3,2%.

A projeção do BC é bem superior ao teto da meta para este ano, de 5,25%, enquanto o centro da meta é de 3,75%. Já para 2022, o centro da meta é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto percentual. Para 2023, o centro da meta encontra-se em 3,25%, também com margem de 1,5 ponto percentual.

A reunião desta quarta também deve ter sido a última a contar com a presença de Fabio Kanczuk e João Manoel Pinho de Mello, diretores de Política Econômica e Organização do Sistema Financeiro e Resolução, respectivamente. Ambos deixarão a diretoria colegiada do BC em 31 de dezembro.

Para ocupar o posto de Kanczuk, Roberto Campos Neto, presidente do BC, indicou Diogo Guillen, economista-chefe da Itaú Asset Management. Já para preencher a vaga deixada por Pinho de Mello, Campos Neto indicou Renato Dias, professor da Escola de Economia de Toulouse.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Gustavo Bonato e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins/ Mover

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