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Atualizado há 12 meses

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São Paulo, 28 de outubro – O Comitê de Política Monetária, Copom, do Banco Central do Brasil manteve inalterada a taxa básica de juros da economia, a taxa Selic, de 2% ao ano pela segunda reunião consecutiva. A decisão trouxe um tom mais dócil do que os investidores esperavam quanto aos riscos fiscais, de alta na inflação e de desancoragem nas expectativas.

Expectativas de inflação se mantêm ancoradas

Em reunião de dois dias, a decisão de manter a taxa Selic em 2% foi unânime. O Copom ressaltou que as condições principais para a manutenção da orientação futura, pela qual o colegiado se comprometeu a manter os juros baixos por um período longo, estão satisfeitas, e que as expectativas de inflação no horizonte relevante da política monetária permanecem ancoradas. 

O Copom disse ainda que não pensa em reduzir o grau atual de estímulo monetário. O fundo de índice EWZ, que replica uma cesta de ações brasileiras, recuava 0,22% no pós-mercado em Nova Iorque, após a decisão.

“O Copom avalia que essas condições seguem satisfeitas: as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, encontram-se significativamente abaixo da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária; o regime fiscal não foi alterado; e as expectativas de inflação de longo prazo permanecem ancoradas”, de acordo com o comunicado da decisão. 

O comitê reiterou que o espaço para uma flexibilização da taxa é pequeno. Em relação à alta recente nos preços ao consumidor, o Copom também apontou que mantém o diagnóstico de que o choque é temporário, mas monitora sua evolução com atenção.

Reação do mercado à manutenção da taxa Selic

O movimento recente dos juros futuros indica que tanta docilidade não está sendo digerida por completo no mercado e os contratos do DI ao longo de 2021 embutem expectativas de fortes altas. 

O sinal claro de crescente preocupação dos investidores com a trajetória da inflação, do câmbio e das contas públicas, em meio a grande incerteza global, não parece ter eco na mensagem do comitê, que continua a acreditar que o peso da crise causada pela pandemia da Covid-19 gerará pressões desinflacionarias bem mais intensas. 

“Olhando para frente, tendo em mente que resta apenas uma reunião para este ano e notando que o Copom elevou o tom [de forma sutil] em torno dos riscos fiscais, enfatizamos que os acontecimentos de Brasília até o final do ano serão proeminentes para determinar os próximos passos da autoridade monetária”, avaliou Alejandro Ortiz Cruceno, economista da Guide Investimentos.

Já Felipe Sichel, estrategista do Modalmais, acredita que “mesmo com o balanço de riscos contemplando alerta para o aumento dos riscos fiscais no cenário, o tom foi mais ameno do que o antecipado”.

Manter no comunicado o trecho “o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno” não era esperado por analistas, segundo José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. “O Copom manteve tal portinhola que, inclusive pode se aplicar a compra de títulos ou mesmo mudança do forward guidance para algo mais dovish ainda. O mercado deve reagir com mais inclinação da curva, embora o comportamento do câmbio seja decisivo amanhã”, aponta Gonçalves.

Texto: Guillermo Parra-Bernal
Edição: Melina Flynn e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins/TC

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