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Atualizado há 11 meses

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São Paulo, 9 de dezembro – O Comitê de Política Monetária, Copom, do Banco Central do Brasil surpreendeu no tom da última decisão de juros do ano e disse que, se a manutenção do atual cenário de convergência entre a inflação observada e as metas persistir, em breve as condições para a manutenção da orientação de juros baixos por um período prolongado podem não mais ser satisfeitas. 

Interpretamos isso como um alerta para a retirada da ferramenta conhecida entre os investidores como “forward guidance” e uma sinalização da crescente preocupação da autoridade com os rumos da política fiscal e da inflação.

Na decisão de hoje, divulgada por volta das 18h37, o Copom manteve de forma unânime a taxa básica de juros, a Selic, em 2,00% ao ano, conforme o esperado pelo mercado, mas alertou que está monitorando a recente disparada na inflação. 

A retirada da orientação futura “não implica mecanicamente uma elevação da taxa de juros pois a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo extraordinariamente elevado frente às incertezas quanto à evolução da atividade”, disse o Comitê em comunicado.

Copom enfatiza necessidade do ajuste fiscal

A sinalização dada pelo Copom é de uma retirada da orientação futura na reunião de final de janeiro, disseram economistas e contribuidores do TC. A declaração passou de dócil a muito severa. Apesar da inflação prospectiva mais alta, as expectativas e as projeções de inflação no cenário básico “permanecem abaixo da meta de inflação para o horizonte relevante”, disse o comunicado. 

O comitê enfatizou a necessidade do ajuste fiscal – em um recado para governo e Congresso, que se mostram indecisos quanto à vontade de passar projetos de lei e reformas comprometidas com a manutenção do equilíbrio fiscal no longo prazo.

Inflação pressiona no curto prazo

A orientação é um exercício de comunicação no qual o Copom se compromete condicionalmente a não elevar a Selic a menos que as projeções e expectativas de inflação fiquem muito próximas da meta. 

Se for retirada, a política monetária voltaria ao regime de metas para a inflação, baseado no balanço de riscos, disse o comunicado. Já as últimas leituras de inflação vieram acima do esperado – o que deve se repetir em dezembro. 

Apesar da pressão inflacionária mais forte no curto prazo, o Copom “mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários”, mas monitora sua evolução com atenção, em particular as medidas de inflação subjacente, disse o comunicado.

Segundo Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi, o Copom disse estar preocupado é com o balanço de riscos, “pois se não tiver sinalização fiscal por parte do governo de forma adequada, isso pode pressionar ainda mais” a inflação e, em consequência, a taxa de juros. Os investidores esperam a Selic finalizando 2021 em 3,00% e 2022 em 4,50%. 

Texto: Guillermo Parra-Bernal
Colaboração: Leandro Tavares
Edição: Angelo Pavini e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins/TC

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