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Atualizado há cerca de 1 mês

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São Paulo, 20 de setembro – A semana nos mercados globais começa com grande aversão a risco, que se soma à crise da dívida da gigante imobiliária chinesa Evergrande. Além disso, há receios em relação ao teto de dívida nos Estados Unidos e uma agenda recheada com decisões de políticas monetárias. O mercado também olha com atenção as eleições no Canadá e Alemanha.

Por volta das 8h, com bolsas de países emergentes amargando um de seus piores dias no ano, o índice pan-europeu Stoxx 600 perdia 1,80%, pior queda em dois meses. Enquanto isso, os futuros de S&P500, Dow Jones e Nasdaq 100 caíam mais de 1%.

A secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, clamou ontem pela aprovação do aumento do teto de dívida do país em artigo no The Wall Street Journal. Ela disse que, sem essa elevação, pode haver uma “catástrofe econômica” que enfraqueceria a economia dos Estados Unidos na saída da crise do coronavírus.

Crise da Evergrande

Com o mercado chinês parado por feriado nacional, a bolsa de Hong Kong tombou 3,30%. Investidores temem que a crise da Evergrande possa contaminar o sistema financeiro e as demais companhias chinesas do setor.

O minério de ferro seguiu sua tendência de queda, perdendo 2,31% em Singapura. Com isso, o setor de materiais se junta ao financeiro para liderar as quedas na Europa.

Grandes decisões de bancos centrais

Na agenda carregada da semana, tem a decisão de política monetária do Federal Reserve, banco central americano, na quarta-feira. Há expectativa de que o calendário de retirada de estímulos fique mais claro, após dados econômicos mistos recentes. Será também publicado o relatório Dot Plot, que vai mostrar quantos membros do comitê decisório do Fed pedem o início do ciclo de alta de juros já em 2022.

No Brasil, a principal dúvida sobre a decisão de juros é saber se o aumento será de 100 ou 125 pontos-base.

Tensão política no Brasil

Riscos políticos e fiscais seguem no radar local. O mercado está à espera por uma solução para precatórios prometida para esta semana pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. E a tensão política ganha mais um elemento, com o relatório da CPI da Covid podendo ser publicado nesta semana. Renan Calheiros, relator da comissão, disse que o documento deverá acusar o presidente Jair Bolsonaro de crimes comuns, de responsabilidade e contra a humanidade.

Em relação à crise hídrica, o Operador Nacional do Sistema Elétrico afirmou que os apagões registrados em Rio de Janeiro e Minas Gerais no fim de semana não têm relação com a escassez de chuva.

Bolsa de valores

O índice Bovespa futuro deve seguir o cenário internacional amargo e abrir em queda. As bolsas de África do Sul e Rússia caíam 2,97% e 2,06%, respectivamente. O índice de mercados emergentes perdiam 2,22% no pré-mercado em Nova York. O fundo de índice brasileiro EWZ tombava 2,07%, e os ADRs de Vale e Petrobras derretiam 4,72% e 3,19%, respectivamente, antes da abertura em Wall Street.

Câmbio

O dólar futuro deve abrir em alta, seguindo avanço do dólar contra todas as moedas observadas, exceto iene japonês e franco suíço. Moedas emergentes perdiam entre meio e um ponto percentual, com as de países exportadores de commodities caindo na esteira da queda de 1,80% no petróleo Brent e de 2,11% nos futuros de cobre em Chicago.

Juros

De olho na decisão do comitê de juros do Banco Central, Copom, os juros futuros devem abrir em alta seguindo o câmbio, com a dinâmica entre os vértices prometendo volatilidade. Novidades na cena política e no problema dos precatórios podem alterar o balanço de riscos.

Texto:  Felipe Corleta
Edição: Lucia Boldrini e Stéfanie Rigamonti
Imagem: Mover


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