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Crise na Ucrânia impacta inflação e atividade econômica, diz Goldman Sachs

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Crise na Ucrânia impacta inflação e atividade econômica, diz Goldman Sachs

Os desdobramentos da crise na Ucrânia no mercado de commodities e condições financeiras podem afetar amplamente a economia como um todo

Crise na Ucrânia impacta inflação e atividade econômica, diz Goldman Sachs
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Atualizado há 3 meses

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São Paulo, 25 de fevereiro – O Goldman Sachs vê a guerra entre Rússia e Ucrânia com um grande potencial para causar uma crise de oferta de commodities, afetando a inflação e a atividade econômica global, e diminuindo as chances para posturas mais severas dos bancos centrais das potências.

Em relatório publicado hoje, analistas do banco americano dizem que esse conflito geopolítico pode impactar os mercados em quatro canais: queda direta no Produto Interno Bruto especialmente da Europa, apesar de leve, menos exportações, menos oferta de commodities do leste europeu e condições financeiras mais apertadas.

O impacto na economia global e na Europa deve ser pequena segundo os analistas, detalhando que o PIB da Rússia e da Ucrânia somados não chegam a 2% da atividade global. A Rússia representa 1,8% da atividade econômica do globo, e a Ucrânia 0,2%. As exportações para essas regiões representam “bem menos” de 1% da economia mundial.

Entretanto, os desdobramentos da crise na Ucrânia no mercado de commodities e condições financeiras podem impactar mais amplamente a economia como um todo.

A Rússia representa 17% da produção de petróleo e 11% da produção global de gás natural, além de deterem 11% da produção de metais preciosos, 9% dos metais industriais, 11% do trigo e 8% dos fertilizantes. Já a Ucrânia é responsável por 22% das exportações de milho e 7% de trigo.

No caso da Europa, a principal consequência é pelo gás natural russo, dizem os analistas, tendo em vista o patamar da dependência dos europeus, que hoje importam 40% do que usam diretamente da Rússia. Sanções e agravamentos adicionais do conflito podem diminuir ainda mais a oferta de gás russo no mercado europeu.

O petróleo, que já dispara cerca de 20% no ano, também deve ser impactado e potencializar os problemas relacionados à inflação global. O Goldman Sachs estima que uma nova alta de 20% no petróleo traz 0,13% de alta direta em núcleos de inflação e 0,24% na inflação ao consumidor a nível global. Os maiores impactados seriam os grandes importadores de petróleo, caso da Índia, Japão, China e Europa.

Quebras na oferta de fertilizantes, trigo e milho também puxariam os preços para cima de vários itens, especialmente nas economias emergentes. Além disso, a Rússia produz 43% do paládio do mundo, que é usado em conversores elétricos e 13% do níquel – fundamental para baterias.

Política monetária

Por fim, o Goldman Sachs aponta que a crise na Ucrânia tem três fatores importantes para a política monetária: aumento de incerteza, risco baixista para crescimento econômico e risco altista para a inflação.

Com esse contexto incerto, os analistas do banco entendem que esse cenário diminui as chances de que o Federal Reserve, banco central americano, inicie o ciclo de alta de juros com um choque de meio ponto percentual. O banco prevê sete altas de 25 pontos-base na taxa Fed Funds em 2022, e duas na taxa básica de juros do Banco Central Europeu.

Texto: Felipe Corleta
Edição: Guilherme Dogo e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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